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Como não esquecer o que aprendemos?

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perguntada Dez 27, 2017 em Academia por Valério Londe (21 pontos)  

Conte-nos um pouco mais sobre como era a sua rotina de estudos durante a sua graduação. Como você estudava? Tinha os seus momentos de lazer também? Sei que cada um estuda de uma forma e no seu ritmo. Mas seria legal você nos contar um pouco da sua experência.
Sinto um pouco de dificuldade em lembrar de alguns conceitos depois de um certo tempo. Como lembrar das coisas importantes que aprendemos durante toda a graduação? A prova da ANPEC, por exemplo, necessita do conteúdo da graduação inteira. Como estudar microeconomia hoje, por exemplo, e lembrar de tudo para sempre? Como tornar o conhecimento parte de nós mesmos?

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1 Resposta

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respondida Dez 28, 2017 por danielcajueiro (5,251 pontos)  
selecionada Dez 28, 2017 por Valério Londe
 
Melhor resposta

Eu fiz Engenharia Química na UFBA e não Economia.

No ensino médio não me dava bem com disciplinas que exigiam memorização e NÃO entendimento de conceitos.

No curso de Eng. Química esse problema de memorização quase desapareceu, pois ele apenas acontecia nas disciplinas de Química Orgânica e Química Analítica em que muitas coisas precisavam ser memorizadas (4 disciplinas no total).

A maioria das pessoas não sabe, mas o curso de Engenharia Química é muito mais Matemática e Física do que Química.

Para aprendizado, eu acho fundamental dois princípios:

(a) Gostar do que se estuda.

Se você gosta do que você está fazendo, cada vez mais você está disposto a gastar mais tempo, pois essa atividade se torna um tipo de lazer. Por outro lado, muitos defendem que quando você gosta de algo que você está fazendo, você fica muito mais focado (problema atual muito sério é a perda de foco, por exemplo, em redes sociais).

(b) Entender o que se estuda.

Um outro ponto é ir a fundo para entender o que estar estudando. Isso é custoso e envolve trade-offs de curto e longo prazo.

Resolver um problema usando uma receita de bolo dada em sala ou apresentada em um livro medíocre muitas vezes é suficiente para se sair bem numa prova [Payoff de curto prazo].
Entretanto, dois meses depois dessa prova, você não lembrará mais de nada (pelo menos no meu caso que sempre estou lendo coisas novas).

Entender um problema com mais cuidado te permite, mesmo que você se esqueça da solução específica do problema, reconstruí-la se for necessária 10 anos depois [Payoff de longo prazo]. Conceitos ficam guardados por muito tempo.

Na universidade, eu nunca estudava para uma prova específica. Normalmente, na véspera lia um livro que não tinha nada a ver com a prova, ía ao cinema etc.

Em relação as outras perguntas:

"Como estudar microeconomia hoje, por exemplo, e lembrar de tudo para sempre?"

Microeconomia é super conceitual e intuitiva e focada na solução de problemas importantes. Por exemplo, "Como famílias/consumidores fazem escolhas? Como firmas fazem escolhas? Como definir equilíbrio?

Tinha os seus momentos de lazer também?

:-) Tinha outras atividades de lazer também. No ensino médio: Violão, Guitarra, Xadrez, Cinema, Jiu Jtsu e outras artes marciais.

Continuo tendo várias atividades de lazer, mas agora várias delas se confundem com as atividades de minha filha que tem 5 anos: lista

comentou Dez 28, 2017 por Valério Londe (21 pontos)  
Com base na sua experiência em sala de aula: você acha que os estudantes estão estudando menos do que antes? E por quê?
O comportamento que percebo em meus  colegas e amigos da faculdade é que a maioria não está preocupada em realmente ir a fundo e entender o que se aprende.  A maioria assiste a aula, faz a lista e estuda na véspera, o que é suficiente para garantir uma nota bem razoável dependendo da matéria.  Peguei econometria no semestre passado e 19 passaram no total, de 60. E as provas nem eram muito difíceis, pois o professor colocava mais questões teóricas, intuitivas e com pouca demonstração algébrica ou cálculos mais complexos.
Percebo que muitos colegas tem problemas de motivação com as matérias, achando que algumas matérias não tem aplicabilidade na prática.
Alguns professores tentam motivar por meio de incentivos: pontos extras, testes de controle quinzenais. Mas parece infrutífero mesmo com os incentivos, o que acho estranho. Penso que o problema é interno mesmo. Nós devemos buscar a nossa própria motivação para estudar e se dedicar a algo. Mas parece que a procrastinação é uma doença crônica em muitos...
comentou Dez 29, 2017 por danielcajueiro (5,251 pontos)  
Os alunos estudam muito menos. Diferente do passado, existem muitas formas de se ficar disperso (facebook, netflix etc). Tb a forma de entrada na Universidade mudou (não sei se isso é melhor ou pior), mas é diferente. Antigamente, a forma de entrar na universidade era mais pragmática. Fazia o vestibular e aqueles alunos que naquele momento se saíam melhor, entravam na universidade. Isso não significa que eram os melhores alunos, mas se a prova fosse bem elaborada, eles naquele momento sabiam mais os pre-requisitos. Hoje muitos alunos não tem os pre-requisitos necessários para continuar o curso e isso deve ser uma fonte muito grande de desistimulo. Simplesmente, o caminho é muito longo para conseguir acompanhar a disciplina, pois para acompanha-la, preciso acessar os pre-requisitos antes.
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