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Está havendo uma radicalização dos movimentos estudantis dentro da Universidade de Brasília?

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perguntada Mai 5 em Vida Universitária por Stuart Mill (344 pontos)  

Causas e consequências para os diversos grupos que frequentam a universidade.

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1 Resposta

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respondida Mai 12 por professor (326 pontos)  
selecionada 1 dia atrás por Stuart Mill
 
Melhor resposta

Infelizmente, SIM. O movimento estudantil (ou pelo menos parte dele) que age dentro da UnB não é bem estruturado e com estratégias claras que permitam alcançar seus objetivos:

1) Precarização da instituição, provocada, segundo o texto, pela Emenda Constitucional nº 95, que regula os gastos públicos.

2) Auditoria do Ministério da Educação (MEC), que, de acordo com os estudantes, estaria ferindo a autonomia da instituição.

3) Medidas de austeridade propostas pela Reitoria, como o corte de terceirizados e de estagiários e o reajuste do preço da refeição do Restaurante Universitário.

Note que a greve proposta ou invasões a prédios que pretendem evitar o ministério de aulas (que condeno fortemente) não podem ter nenhum efeito nos ítens (1) e (2), pois fazem parte de legislação que supera o âmbito da universidade. Para muda-los, precisaria-se de muito tempo. Espera-se que a universidade fique parada por vários meses ou até anos?

Por outro lado, o ítem (3) se houver interesse da reitoria poderá ser parcialmente resolvido via conversa e não invasão. Uma possível solução, por exemplo, é transferir os gastos com estagiários para as Faculdades ou Institutos. Vários deles tem verba própria que poderiam contribuir para a manutenção desses estagiários ou terceirizados.

A lógica dessa turma é tão estranha que fica difícil acompanhar:

(1) "Como o prédio é público eu posso invadir... Opa, não é invasão, mas ocupação." Os prédios públicos são construídos para atender atividades específicas.

(2) O objetivo é melhorar a educação, mas para fazer isso eles evitam com que pessoas recebam educação.

(3) Inconsistência temporal reversa. "Uma vez que a universidade vai parar mesmo, vamos parar agora". Normalmente, trazemos as coisas boas para o presente e jogamos as coisas ruins para o futuro. Temos uma tendência a procrastinar na execução de tarefas que não nos agradam. O regime sempre começa amanhã. Fiado só amanhã....

Causas:

1) O movimento estudantil se perdeu ao longo do tempo. Se tornou um movimento de esquerda radical cujas pautas não representam a maioria dos estudante. O estudante hoje é muito mais pragmático e informado do que no passado. Ele não está disposto a atrasar a sua formatura por algo que ele não sabe se realmente faz sentido ou que não o afeta diretamente.

2) A esquerda tem tido sucessivas perdas e essa é a forma dela revidar: (a) Impeachment da Dilma Rousseff (b) Ter que lidar com um presidente que não a agrada, mas que ela elegeu; (c) A prisão do lula.

3) Os movimentos da esquerda são parecidos. Eles fecham rodovias, invadem terras, prédios e pavilhões de aula. Muitas vezes, eles não estão interessados nos objetivos que desejam defender, mas apenas criar confusão e evitar com que pessoas mais habilidosas cumpram seus objetivos.

Consequencias:

1) Maior distanciamento do estudante médio ao movimento que o deveria representar.

2) Precarização da universidade que ele diz defender.

3) Mais motivos para privatizar a universidade, que é muito cara e usa muitos recursos da educação que deveriam estar sendo direcionados para o ensino fundamental e médio que não tem como gerar recursos.

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