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O sistema econômico é meritocrático?

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perguntada Fev 11 em Economia por Raíssa (656 pontos)  
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1 Resposta

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respondida Fev 11 por Raíssa (656 pontos)  

Knight no livro "Risco, incerteza e lucro" apresenta um trecho desconcertante sobre esse assunto: "A confusão de causalidade com mérito é um erro indesculpável pelo qual a psicologia burguesa da sociedade moderna seja talvez a principal responsável que se deva acusar, embora os teoristas da produtividade não estejam isentos de culpa. Devemos resguardar-nos de pensar que o ajustamento "natural" do sistema competitivo tenha importância moral, embora seja, decerto, "ideal" no sentido científico de ser uma condição de estabilidade. Chamá-lo de "melhor solução possível" é simplesmente incorrer em petição de princípio ou deturpar as palavras."

comentou Fev 17 por Stuart Mill (1,099 pontos)  
O comentário de Knight é pertinente. De fato, acredito que seja o maior calcanhar de Aquiles de todas as escolas econômicas baseadas em utilidade (falo aqui não da somente filosofia utilitarista, mas nos modelos e modo de pensar baseados em ordenações de preferências e da utilidade como "bem-estar"). Essa base é difícil de defender quando se atacam determinados pontos, embora, é claro, tenha um papel "utilitário" (perdão pelo trocadilho) muito bom (isto é, permite fazer boas previsões e bons modelos em muitos casos).

O principal problema a meu ver dos utilitaristas, que foi atacado tanto pela esquerda quanto pela direita, é a fraqueza no argumento da definição dos direitos prévios de propriedade. Isto é, os direitos de propriedade são assumidos como dados, e a partir dali são definidos como válidos.

A crítica dos marxistas é que toda a propriedade burguesa é inválida porque se baseia na exploração da mais-valia. Isto é, a definição de propriedade se dá no momento que se transfere "mais-valor" aos bens. O contra-argumento seria que os trabalhadores foram contratados para cederem sua mão-de-obra voluntariamente em troca de um salário, mas o contra-contra-argumento é que: i) essas trocas não são voluntárias, porque o proletário está sempre em condições de subsistência ou próximas a ela; ii) ele não é remunerado "corretamente" pelo seu trabalho.

A crítica libertária, por outro lado, bate na indefinição de uma ética universal para a validade da propriedade por parte dos utilitaristas (isso complica principalmente as análises de bem-estar). Portanto, as análises de melhora ou piora de bem-estar após n trocas ignoram o histórico e a validade dos direitos de propriedade sobre os itens que estão sendo trocados em primeiro lugar.
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