Primeira vez aqui? Seja bem vindo e cheque o FAQ!
x

Qual é a relação entre a percentagem de democratas e desemprego, pobreza e salário mínimo nos estados americanos?

0 votos
45 visitas
perguntada Mai 13 em Economia por Thiago Lappicy (6 pontos)  

Essa é uma exploração da base de dados do artigo:

Dube, A. (2019). Minimum wages and the distribution of family incomes. American Economic Journal: Applied Economics, 11(4), 268-304.

Compartilhe

1 Resposta

0 votos
respondida Mai 13 por Thiago Lappicy (6 pontos)  
editado Mai 13 por Thiago Lappicy

O artigo em questão fala sobre como um aumento no salário mínimo, nos EUA, afetam a distribuição da renda familiar - em especial nos quantis mais baixos.

Considerações iniciais

Primeiramente, é importante notar algumas diferenças importantes entre como empregos funcionam lá e aqui no Brasil. Por exemplo, enquanto no Brasil existe uma carga horária semanal de 44 horas pela CLT (Consolidações das Leis Trabalhistas) enquanto nos Estados Unidos é possível contratar alguém para trabalhar menos horas dia / horas semana e o salário mínimo, justamente por isso, é por hora e não por mês.

Por isso mesmo, não se pode afirmar a priori que o aumento de salários mínimos aumentam a renda familiar na parte inferior da distribuição salarial nos EUA (é necessário fazer estudos empíricos). Não se pode ter essa afirmação *a priori pelos possíveis impactos que um aumento do salário mínimo podem ter, como uma potencial perda de empregos em geral (ou diminuição da jornada de trabalho). Outra possibilidade é que com esse aumento, algumas pessoas / famílias perderiam benefícios de assistência social do governo (por ganharem mais e não estarem mais no que é considerado "pobre").

Um outro possível problema é sobre quem recebe o salário mínimo nos EUA. Lá existe uma cultura muito forte em que muitas pessoas trabalham desde uma idade mais jovem. É comum se trabalhar durante o ensino médio e faculdade independente da renda familiar, portanto, em alguns casos, receber o salário mínimo (por hora) não significa o mesmo que estar na parte de baixo da distribuição de renda familiar.

Revisão da Literatura

Existe uma extensa literatura a respeito do impacto do salário mínimo nos EUA, assim como a avaliação dos benefícios sociais existentes pelo governo. Podemos citar diversos, citados no artigo em questão, como Gramlich (1976); Hardren (2014); Reich et West (2015); Thomas (2015); Hoynes et Patel (2016); Manning et Smith (2016) e Allegretto et al (2017).

Resumo do artigo

O estudo analisado nesta pergunta agrega a essa literatura existente e difere dos existentes em alguns pontos. É importante notar que o artigo confirma o que já foi dito em outros artigos, validando ainda mais o que é feito. Um ponto diferente desse estudo é sua abrangência, ele não é um estudo local, mas abrange todos os 52 estados dos Estados Unidos em um período de 30 anos (1984 - 2013) - algo pouco comum pela dificuldade e complexidade dos dados.

Esse estudo analisa como o aumento do salário mínimo desloca a função de distribuição acumulada considerando duas definições de renda, uma tradicional (avalia a nível individual quanto uma família recebe de emprego somado a auxílios monetários), e uma mais moderna (descrevendo renda como também o ganho de auxílios não diretamente monetários, como tax credits e food stamps). Além disso o autor avalia um lag temporal de até 3 anos (políticas públicas nem sempre tem efeitos imediatos). Isso tudo é avaliado em diferentes proporções da FPT (Federal Poverty Threshold), que é o limiar da pobreza nos EUA (cerca de $22.500/ano).

Base de dados

O autor agrega informações de nível individual em blocos por Estado e ano. Essas informações são população, PIB, PIB per capita, emprego, desemprego, número de pobres (baseado na FPT), número de indivíduos em algum programa de assistência governamental (food stamps, SNAP, AFDC / TANF), composição política do estado (número de democratas e republicanos na câmara e no senado estadual assim como o partido do governador). Esses dados foram obtidos do CPS (“March Current Population Service”) de 1984 a 2013 e da University of Kentucky Center for Poverty Research.

Estudo Empírico

Apesar do artigo utilizar regressões RIF e UQPE ("Unconditional Quantiles Partial Effects"), em meu estudo empírico abordei um lado diferente. Eu decidi analisar algo que o autor descarta por completo - a relação entre a composição política do governo e algumas variáveis de interesse (como taxa de pobreza, de desemprego e o salário mínimo estadual).

Primeiro foi necessário criar essa variável política. Para isso eu fiz a média aritmética de 3 componentes disponíveis:

  • o governador (1 se democrata e 0 se republicano);
  • a fração de democratas na câmara estadual;
  • a fração de democratas no senado estadual.

Para fazer isso no R, tive que puxar o arquivo contendo os dados - está disponível na revista citada - e rodar essa média.

MinimumWages <- read_excel("ResumoTudo.xlsx") %>%
                    as.data.frame() %>%
                    mutate(PoliticsDem = NA)

 for(i in 1:nrow(MinimumWages)){
    MinimumWages$PoliticsDem[i] <-
      (sum(MinimumWages[i, 38],
           MinimumWages[i, 41],
           MinimumWages[i, 44], na.rm = T)/3)
}

Para plotar esses dados em um GIF, basta puxar o mapa dos EUA online e atribuir para cada estado em cada ano essa variável criada.

USA_gis <- us_states(map_date = NULL, states = NULL)

USA_gis <- USA_gis[order(USA_gis$state_abbr),] %>%
             ms_simplify(USA_gis, keep = 0.05, keep_shapes = T)

Resumo_geral <- cbind(USA_gis, MinimumWages)


PoliticsDem_animated <- Resumo_geral %>%
                          select(state_name, state_abbr, year,
                                 geometry, PoliticsDem) %>%
                          mutate(year = as.factor(year)) %>%
                          tm_shape() +
                          tm_fill(col = "PoliticsDem",
                                  style = "cont",
                                  title = "% Democratas",
                                  palette = c("red", "red",
                                              "blue", "blue")) +
                          tm_borders(col = "white") +
                          tm_facets(along = "year", 
                               free.coords = FALSE)

tmap_animation(PoliticsDem_animated, delay = 80)

Abaixo segue a imagem de um ano "parado". Porém foi feito um GIF, que mostra a variação ano a ano, tanto para democratas quanto para taxa de pobreza e taxa de desemprego (o prorum não permite postar um GIF / arquivo no formato mp4).

A imagem será apresentada aqui.

Por último é apresentado abaixo uma tabela com as principais regressões feitas, mostrando o valor do delta (beta) para cada variável Xn

A imagem será apresentada aqui.

Os códigos rodados para as regressões seguem o seguinte formato. Apesar de ser mostrada apenas o código de uma das regressões feitas, segue exatamente a mesma lógica, apenas variando quem está na variável X e Y.

PoliticsDem_reg <- MinimumWages$PoliticsDem

PoliticsDem_reg[which(PoliticsDem_reg == 0)] <- NA

PovertyRate_reg <- MinimumWages$`Poverty Rate`

reg_1 <- lm(PovertyRate_reg ~ PoliticsDem_reg)
summary(reg_1)

plot(x = PoliticsDem_reg, y = PovertyRate_reg, type = "p")
abline(reg_1)
comentou Mai 13 por Thiago Lappicy (6 pontos)  
Para rodar os códigos mostrados nessa pergunta, importante lembrar que se deve carregar algumas bibliotecas dentro do R! Elas estão mostradas abaixo:

library(dplyr)
library(readxl)
library(sf)
library(USAboundaries)
library(rmapshaper)
library(tmap)
library(gifski)
library(ggplot2)
...