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O que você gostaria que tivesse no seu livro texto de estatística e não tinha?

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perguntada Dez 13, 2015 em Estatística por danielcajueiro (5,186 pontos)  

É fundamental você dizer qual livro texto de estatística você usou.

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2 Respostas

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respondida Jul 5, 2016 por Roveré (26 pontos)  

Noções de como coletar e tratar bases de dados! Se considerarmos, por exemplo, Introdução à Econometria de Wooldridge, percebemos que apenas no último capítulo do livro é que o autor se preocupa em introduzir como seria feito, na prática, um projeto de análise econométrica do princípio ao fim e, mesmo assim, este capítulo carece de meticulosidade em explicar como angariar dados e tratá-los de forma que estes sejam robustos o suficiente para que a análise seja de fato confiável.

comentou Jul 5, 2016 por danielcajueiro (5,186 pontos)  
Não sei se esse é exatamente o ponto de vista que você está considerando... De fato, a área de estatística é divida em três linhas principais:  (1) Inferência; (2) Amostragem e (3) Projeto de Experimentos [talvez ainda exista uma (4) Statistical Learning]. Em econometria, basicamente estudamos (1) que é Inferência. Mais recentemente, na área de economia experimental começamos a nos preocupar com o ítem (3), mas essa área ainda é incipiente. Se você tiver interesse em amostragem, eu sugiro Elementos de Amostragem Heleno Bolfarine , Wilton de Oliveira Bussab.
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respondida Jul 25, 2016 por Raíssa (451 pontos)  

Utilizei uma versão antiga do livro Estatística Básica- Bussab e Morettin e o que eu senti falta no livro foi a falta de aplicações. Não posso afirmar o mesmo da edição mais nova, uma vez que ela é mais extensa.
Acho que essa passagem de Emílio do Rousseau representa bastante isso, a importância das aplicações para o conhecimento:
"Suponhamos que, enquanto estudo com meu aluno o curso do sol e a maneira de se orientar, de repente ele me interrompe para me perguntar para que serve tudo aquilo.(...)
Observávamos a posição da floresta ao norte de Montmorency quando ele me interrompeu com sua importuna pergunta: Para que serve isso? Tensa razão, disse-lhe eu, precisamos pensar bastante nisso; e, se acharmos que este trabalho não serve para nada, não voltaremos a ele, pois não nos faltam diversões úteis. Ocupamo-nos co outra coisa e não se fala mais de geografia pelo resto do dia.
No dia seguinte de manhã, proponho-lhe um passeio antes do almoço; ele não queria outra coisa; para correr, as crianças estão sempre prontas, e esta tem boas pernas. Subimos à floresta, percorremos os Champeux e nos perdemos, já não sabemos onde estamos; quando chega a hora de voltarmos, não conseguimos reencontrar o caminho. O tempo vai passando, vem o calor, estamos com fome; apressamo-nos, erramos em vão de um lado para o outro, por toda parte só encontramos bosques, pedreiras, planícies, nenhuma informação para reconhecimento. Muito acalorados, muito cansados, com muita fome, com nossas idas e vindas só conseguimos perder-nos mais. Finalmente sentamo-nos para descansar e para conversar. Emílio, que suponho educado como outra criança, não conversa, mas chora; não sabe que estamos à porta de Montmorency e que um simples matagal a esconde de nós; esse matagal, porém, é uma floresta para ele, um homem da sua altura enterra-se no mato.

Após alguns instantes de silêncio, digo-lhe com um ar inquieto: Meu caro Emílio, como faremos para sair daqui?

Emílio, muito suado e aos prantos.

Não sei. Estou cansado; estou com fome; estou com sede; não agüento mais.

Jean-Jacques

Achas que estou em melhores condições do que tu? Achas que eu deixaria de chorar, se pudesse almoçar com minhas lágrimas? Não se trata de chorar, mas de saber onde estamos. Que horas são no teu relógio?

Emílio

É meio-dia, e ainda estou em jejum.

Jean-Jacques

É verdade, é meio-dia e ainda não comi nada.

Emílio

Ah, como deves estar com fome!

Jean-Jacques

O pior é que meu almoço não virá buscar-me aqui. É meio-dia, é justamente a hora em que ontem observamos de Montmorency a posição da floresta. Se pudéssemos da mesma forma observar da floresta a posição de Montmorency!...

Emílio
É, mas ontem estávamos vendo a floresta, e daqui não vemos a cidade.

Jean-Jacques
Esse é o problema... Se pudéssemos achar a sua posição sem precisar vê-la!...

Emílio
Ó meu bom amigo!

Jean-Jacques
Não dizíamos que a floresta estava...

Emílio
Ao norte de Montmorency.

Jean-Jacques
Por conseguinte, Montmorency deve estar...

Emílio
Ao sul da floresta.

Jean-Jacques
Há um meio de achar o norte ao meio-dia.

Emílio
Sim, pela direção da sombra.

Jean-Jacques
Mas e o sul?

Emílio
O que fazer?

Jean-Jacques
O sul é o oposto do norte.

Emílio
É verdade; basta procurar o oposto da sombra. Ah! P sul é ali! O sul é ali! Com certeza Montmorency fica deste lado; vamos procurar deste lado!

Jean-Jacques
Pode ser que tenhas razão; tomemos este caminho pelo bosque.
Emílio, batendo palma e dando gritos de alegria.
Estou vendo Montmorency! Ali bem à nossa frente, bem à vista! Vamos almoçar, vamos comer, rápido; a astronomia serve para alguma coisa."( Trecho retirado do livro Emílio ou Da Educação- Rousseau págs 237 a 240- editora Martins Fontes).
Mas não podemos esquecer de Euclides, que depois de ter ensinado um teorema de geometria, o aluno perguntou: mas o que eu vou ganhar com isso? Então ele chamou seu escravo para lhe dar três moedas, pois o garoto precisava ganhar com o que aprende, o que de certa forma é uma crítica ao estudo que objetiva resultados práticos e não tem o fim em si mesmo.

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