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Como a literatura de redes complexas pode contribuir com economia e finanças?

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perguntada Abr 18, 2015 em Economia por danielcajueiro (5,171 pontos)  
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2 Respostas

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respondida Jun 9, 2015 por Rodrigo Miranda (231 pontos)  
selecionada Jun 9, 2015 por danielcajueiro
 
Melhor resposta

Vou assumir que você já tem um entendimento sobre o que são redes complexas e em que consiste seu estudo. Se não, recomendo começar com:

O que são redes complexas e em que consiste seu estudo?

Eu acho que posso começar dizendo que o Mathew Jackson responde essa pergunta bem melhor que eu em:

Jackson, Matthew O. 2014. "Networks in the Understanding of Economic Behaviors." Journal of Economic Perspectives, 28(4): 3-22.

Mas como ele (ainda) não está no Prorum, lá vão meus 2 centavos:

Dizer que o estudo de redes complexas pode contribuir com economia e finanças é dizer que o estudo das relações entre agentes econômicos na sua estrutura explícita pode ser interessante, tanto o modo como essas relações estão estruturadas, quanto o modo como elas evoluem no tempo.

Assim, pensando na estrutura das redes sócio-econômicas e financeiras podemos perguntar se a maneira como as cadeias de produção e consumo estão estruturadas afetam a velocidade de convergência para um equilíbrio, ou se a posição de um agente na cadeia de produção/consumo pode transformá-lo de um price-taker em um price-setter, ou como um choque num setor pode se propagar pelos demais setores da economia por meio das cadeias de consumo e produção, ou se existe alguma estrutura de rede que é mais resiliente a choques, dificultando ou atenuando a sua propagação.

A teoria de redes complexas pode nos ajudar a modelar a heterogeneidade dos agentes e de suas interações explicitamente, e verificar se a maneira como se estruturam (ou se transformam) as suas redes de relacionamento é relevante.

Pessoalmente eu acredito que já é aceito que redes complexas realmente podem contribuir com economia e finanças. Basta ver que em vários das revistas mais conceituadas de economia e finanças podemos encontrar artigos em que a teoria de redes complexas é usada para estudar problemas econômicos ou de finanças:

Systemic Risk and Stability in Financial Networks
The Network Structure of International Trade
Financial Networks and Contagion
EQUILIBRIUM IN LINEAR CAPITAL MARKET NETWORKS
The Network Origins of Aggregate Fluctuations

Mas isso tudo é só um começo. A teoria ainda está em desenvolvimento acelerado, e com espaço para muitas contribuições.

[]'s

Rodrigo

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respondida Jul 18, 2015 por Giovanni Beviláqua (357 pontos)  
editado Jul 18, 2015 por Giovanni Beviláqua

Além dos já importantes trabalhos na área de Finanças citados na resposta anterior, há também os interessantes trabalhos de aplicação das ferramentas de física-estatística em Macroeconomia desenvolvidos por Masanao Aoki e seus seguidores.

Em 2011 foi lançado um de seus livros que reuni e sistematiza boa parte das pesquisas nesta sub-área.

O livro é o Reconstructing Macroeconomics - A Perspective from Statistical Physics and Combinatorial Stochastic Processes.

Link da Amazon: http://www.amazon.com/Reconstructing-Macroeconomics-Perspective-Combinatorial-International/dp/1107634202/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1437252668&sr=8-2&keywords=masanao+aoki.

comentou Jul 18, 2015 por danielcajueiro (5,171 pontos)  
Embora meu conhecimento de macroeconomia seja escasso, eu já li alguns trechos desse livro e ele sem dúvida é interessante. Me parece que é uma tentativa de buscar uma opção a hipótese do agente representativo. Uma diferença dos trabalhos acima mencionados (pela minha leitura e que não necessariamente desvaloriza esse trabalho) é que os mencionados pelo Rodrigo Miranda são bem "mainstream", enquanto esse livro (acho que) não é considerado "mainstream". O que você acha? Como essa diferença afeta um economista típico?
comentou Jul 19, 2015 por Giovanni Beviláqua (357 pontos)  
Sim, os trabalhos bem citados pelo Rodrigo também acredito que podem ser considerados "mainstream" considerando a tentativa de dar conta do problema epistemológico do agente representativo, ainda dentro do paradigma de microfundamentação da macroeconomia e não tenho muitos conhecimentos sobre essas pesquisas, mas tenho a impressão que ainda estão nesse filão e a proposta do Aoki e também, me lembrei agora, dos estudos contemporâneos do Peter Flaschel é de, se não abandono deste paradigma ao menos a criação de uma alternativa consistente e busca de uma, como nas palavras do Flaschel, "macrofundamentação da macroeconomia", como tratado nos volumes de seu "Reconstructing Keynesian Macroeconomics" recentemente lançado (link Amazon: http://www.amazon.com/Reconstructing-Keynesian-Macroeconomics-Volume-Perspectives/dp/1138799955/ref=pd_sim_sbs_14_2?ie=UTF8&refRID=1H09DH9G03T3GFXANKN3)

 e um pouco anteriormente em seu "Macrodynamics of Capitalism" (
http://www.amazon.com/Macrodynamics-Capitalism-Elements-Synthesis-Schumpeter/dp/3642099718/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1437281273&sr=8-2&keywords=peter+flaschel+macrodynamics)

Sobre como essa diferença afeta um "economista típico", penso que deveríamos esclarecer o que entendemos por isso. Eu tendo a pensar teorias científicas (ou de outra natureza) à la Foucault, como "caixas de ferramentas" para lidar com o mundo ( para isto, aqui: http://www.scielo.br/pdf/psoc/v22n2/19.pdf), como mecanismos de clarificação do mundo e pragmaticamente como tentativas de solução de problemas ( e pragmático no sentido filosófico, como tratado por Rorty, como aqui tratado aqui: http://www.livrariacultura.com.br/p/verdade-e-progresso-817067) e progresso.

Em resumo podem ser ainda consideradas tentativas "heterodoxas", mas que têm, na minha opinião, o mérito de forçar não só as fronteiras do conhecimento, mas também uma reorganização de seu núcleo, utilizando "ferramentas" de pesquisa e análise disponíveis em outras disciplinas, como neste caso da física- estatística no caso do Aoki ou de estudos de dinâmica não-linear no caso do Flaschel, para dar contas dos problemas.

Como dizem dois de meus professores que acabaram influenciando meu pensamento e esta resposta, o Joaquim Andrade e o Ricardo Araújo, é preciso pensar para além destas categorizações e buscar sínteses teóricas e isto definitivamente não é fácil.
comentou Jul 19, 2015 por danielcajueiro (5,171 pontos)  
Eu pessoalmente gosto muito da idéia de caixa de ferramentas. Algumas abordagens serão úteis para um tipo de problema e outras para outros tipo de problemas
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