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Existem "empresas juniores" que pretendem oferecer serviços de bancos (em menor escala)?

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perguntada Abr 28, 2015 em Empresas Juniores por danielcajueiro (5,171 pontos)  
editado Abr 28, 2015 por danielcajueiro

Estou supondo que a principal atividade de bancos é intermediação financeira que permite a criação de carteiras de empréstimos.

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2 Respostas

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respondida Jan 25, 2016 por Igor de Miranda (41 pontos)  
selecionada Jan 25, 2016 por danielcajueiro
 
Melhor resposta

Em 2014 eu e outros estudantes de Economia da UnB nos propomos a criar um Banco Júnior, cuja função seria captar doações de empresas via dedução fiscal, e fazer empréstimos produtivos para microempreendedores individuais. Para tanto, a burocracia é um óbice e tanto:

  • Primeiro fazer da iniciativa um Projeto de extensão da Universidade, e com isso atrair a tutoria de algum professor do departamento (um desafio em si).

  • Depois fazer desse projeto uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) é recomendável para arrecadação de fundos públicos de microcrédito.

Iniciativas semelhantes já prosperaram, como o BNI (Banco de Negócios Inovadores), uma vez incubado pela FGV-SP. Em outros estados como o Paraná a iniciativa teve certo desenvolvimento também.

É possível? Sim. É possível. Mas desafiador. Mesmo depois de toda a parte burocrática e organizacional concluída, os estudantes envolvidos devem se dispor a acompanhar os projetos e empreendedores financiados com frequência e pessoalmente. Nessa hora, a falta de carro ou tempo de estudantes universitários, para visitar empreendimentos muitas vezes localizadas na periferia impede o desenvolvimento do banco.

Os benefícios pessoais e acadêmicos para os envolvidos são inúmeros. Desenvolvimento de fórmulas de escore para avaliação dos clientes, análise de projetos, spread bancário, além de lidar com empresários reais e projetos reais.

Sem falar do impacto social. Assessorar pequenos empresários gera um efeito multiplicador extremamente valioso, principalmente num país em que as pequenas empresas fecham em até dois anos. Capacitar pequenos empreendedores a gerirem os fundos emprestados é o segredo do negócio, e impacta diretamente na economia local.

Deixo aqui o link do grupo criado no Facebook à época, para que eventuais interessados no tema possam conhecer um pouco mais a proposta, literatura disponível sobre o tema e onde paramos na UnB: Banco Júnior da UnB

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respondida Abr 29, 2015 por Henrique Souza (626 pontos)  

O site oficial da Confederação Brasileira de Empresas Juniores reúne informações em âmbito nacional sobre o movimento Empresa Júnior, além de links para as confederações regionais.
Uma pesquisa rápida minha me leva a conclusão de que não há empresas juniores com a ambição de atuar como intermediária financeira. A lista de confederações regionais e empresas federadas nessas regiões é extensa, logo não posso afirmar com certeza.
Há porém, dois pontos a serem levantados nisso:

  1. Primeiramente, o movimento Empresa Júnior tem como foco a capacitação de estudantes por meio de prestação de serviços a sociedade. Certamente para estudantes interessados na área de Finanças, a experiência de trabalhar como um intermediário para poupanças e investimentos é de grande valor, e até certo ponto, única. O custo reduzido de operação de uma EJ seria um fator positivo ao favorecer taxas de juros reduzidas, e o alvo da empresa poderia ser o financiamento de atividades relacionadas ao meio universitário e a arrecadação de fundos por poupanças das próprias instituições universitárias (como CA's, outras EJ's, etc).
  2. É importante, porém, ressaltar que no Brasil há uma regulamentação rígida das instituições financeiras. Não é toda organização que pode prestar serviços bancários, e há uma série de pré-requisitos que devem ser alcançados além de uma burocracia a ser enfrentada para que uma empresa possa atuar como instituição financeira. Essa regulação existe para garantir uma certa confiança no sistema financeiro brasileiro, e suas implicações podem tornar a criação de uma EJ com esse fim extremamente difícil, se não impossível.

Pensando nesses dois pontos, não acredito ser um bom caminho nem para a empresa júnior nem para o sistema financeiro brasileiro a implementação desse projeto nos moldes padrões do movimento. Uma alternativa interessante seria a criação de uma parceria entre instituições financeiras regionais já consolidadas com EJ's que possuem afinidade com a área de Finanças, como EJ's de Economia e Administração, visando a criação de um "fundo universitário especial" que proporcionasse essa experiência para os graduandos. Esse projeto porém é bem sensível e, apesar de me parecer plausível num primeiro instante, requer uma extensa análise de sua viabilidade, tanto como uma ideia abstrata quanto sua implementação em cada região.

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