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Explore o rating de crédito de uma empresa ou tı́tulo ou paı́s. Explique as motivações por trás dessa classificação de crédito.

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perguntada Jun 1 em Finanças por danielcajueiro (5,581 pontos)  
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respondida 5 dias atrás por Nagato Eto Kawano (6 pontos)  

RATING DE CRÉDITO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Divulgado pela Standard and Poor´s em 02/06/2021
Sítio: S&P Global Ratings Brasil | Homepage | S&P Global Ratings (spglobal.com)

1) Processo de definição de rating da S&P:

a. Contratação: O emissor solicita um rating e assina um termo de contratação.
b. Pré-avaliação: Compomos uma equipe de analistas para avaliar as informações pertinentes.
c. Reunião com a administração: Nossos analistas se reúnem com a administração do emissor para avaliar e discutir informações.
d. Análise: Nossos analistas avaliam as informações e propõem um rating ao comitê de rating.
e. Comitê de Rating: O comitê avalia a recomendação de rating feita pelo analista principal e então vota o rating de crédito.
f. Notificação: Geralmente fornecemos ao emissor o texto prévio do racional que embasa o rating para que o emissor verifique os fatos e a acuidade das informações analisadas.
g. Publicação: Normalmente publicamos um Comunicado à Imprensa anunciando em nosso website o rating público que possa resultar de uma ação de elevação ou rebaixamento.
h. Monitoramento de ratings de emissores e de emissões: O objetivo do monitoramento é manter a atualidade dos ratings de crédito mediante a identificação de questões que possam resultar em uma elevação ou rebaixamento do rating.

Tabela de rating da S&P Global Ratings:

AAA == Grau de investimento: capacidade extremamente forte de honrar compromissos financeiros

AA == Grau de investimento: capacidade muito forte de honrar compromissos financeiros

A == Grau de investimento: Forte capacidade de honrar compromissos financeiros, mas ligeiramente suscetível às condições econômicas e às mudanças nas circunstâncias

BBB == Grau de investimento: Capacidade adequada de honrar compromissos financeiros, porém mais suscetível a condições econômicas adversas

BB == Grau especulativo: Menos vulnerável no curto prazo, porém enfrenta incertezas contínuas relativas às condições de negócio, financeiras e econômicas adversas

B == Grau especulativo: Mais vulnerável a condições adversas de negócio, financeiras e econômicas, porém atualmente apresenta capacidade de horar compromissos financeiros

CCC == Grau especulativo: Atualmente vulnerável e dependente de condições de negócio, financeiras e econômicas favoráveis para honrar compromissos financeiros

CC == Grau especulativo: Altamente vulnerável; o default ainda não ocorreu, mas espera-se que sua ocorrência seja certa

C == Grau especulativo: Atualmente altamente vulnerável à inadimplência, e espera-se que uma recuperação final seja menor que aquela prevista no caso de obrigações com ratings mais elevados

D == Grau especulativo: Default no pagamento de um compromisso financeiro ou quebra de uma promessa imputada; também utilizado quando um pedido de falência foi registrado

R A T I N G BRASIL - Perspectiva estável

Tipo rating

Moeda local de longo prazo: BB-
Moeda local de curto prazo: B
Moeda estrangeira de longo prazo: BB-
Moeda estrangeira de curto prazo: B
Escala nacional brasil de longo prazo : brAAA

A análise do rating de crédito, seguindo o processo de definição de rating da S&P, os analistas fazem uma análise das estatísticas, como exemplo: pib nomina, real, per capita; balança comercial; reservas; taxa de câmbio; politica fiscal; monetária; Banco Central; cenário político; crise sanitária; eleições presidenciais de outubro/2022; auxílio emergencial e outros, conforme fundamentos apresentados pela agência de rating.

Fundamentos:
• A redução do suporte fiscal extraordinário e receitas fiscais dinâmicas devem suportar uma melhora nas finanças públicas do Brasil este ano, mas o deficit permanecerá elevado no médio prazo sem reformas fiscais estruturais significativas ou um maior crescimento.
• Os esforços de reforma fiscal e microeconômica do governo continuaram em meio à pandemia da COVID-19, embora em um ritmo lento.
• Com a aproximação das eleições presidenciais e a ligeira melhora na economia podem restringir os esforços para angariar amplo apoio do Congresso para medidas que visem facilitar a adesão ao teto de gastos constitucional.
• Projetamos um ligeiro superavit em conta corrente em 2021 devido ao aumento das exportações, ao cenário mais favorável para os preços das commodities e à depreciação cambial. À medida que a economia se recuperar e as restrições a viagens forem suspensas, o saldo em conta corrente voltará a um deficit moderado, que será integralmente financiado por fluxos de investimentos externos diretos.
• A forte posição externa, a política monetária proativa, a taxa de câmbio flutuante e a composição favorável da dívida soberana do Brasil são pontos fortes relativos de crédito, que devem permitir ao país enfrentar as condições adversas.
• O Brasil, assim como a economia global, sentiu um importante impacto da pandemia da COVID-19 e da consequente retração econômica no ano passado. No entanto, a contração do PIB real brasileiro de 4% em 2020 foi relativamente modesta em comparação com muitos pares regionais, resultado da ampla resposta fiscal das autoridades.
• Os preços internacionais das commodities se recuperaram com a maior demanda global,
• suportando uma melhora nos termos de troca do Brasil. Devido aos efeitos de base da contração de 2020 e às forças externas, projetamos que o crescimento econômico do Brasil se recuperará para 4% este ano, moderando para 2,2% em 2022-2024. No entanto, a longa duração da pandemia gera uma grande incerteza quanto ao desempenho econômico e fiscal do Brasil no curto prazo. O ritmo de recuperação da demanda doméstica dependerá em grande parte da capacidade das autoridades de distribuir efetivamente a vacina.
• A aprovação de reformas microeconômicas em vários setores, as condições externas favoráveis e um amplo programa de concessões devem beneficiar o investimento. Ainda assim, a aceleração da inflação e o ciclo de aperto monetário podem prejudicar a retomada da atividade econômica. Além disso, obstáculos estruturais sobretudo as regras tributárias complexas, investimentos públicos fracos, rigidez fiscal e barreiras comerciais - provavelmente continuarão pesando sobre o crescimento no médio prazo. As taxas de crescimento do Brasil são inferiores às de outros países em nível semelhante de desenvolvimento, em nossa opinião. Projetamos o PIB per capita em US$7.107 para 2021.
• A falta de uma coalizão governamental sólida e estável no Congresso e a pressão para manter os gastos elevados em resposta à pandemia têm representado desafios para o avanço rápido da agenda econômica e fiscal do país, em particular porque várias reformas exigem Propostas de Emenda à Constituição (PEC). O Congresso, no entanto, conseguiu aprovar uma PEC Emergencial (PEC 186) em março de 2021 que estabelecia o acionamento de gatilhos (cortes automáticos de gastos) se a despesa obrigatória sujeita ao teto de gastos ultrapassar o limite de 95% dos gastos primários.
• A reforma terá um impacto limitado nas contas públicas em 2021-2022, embora represente uma melhora no quadro fiscal. Embora não esperemos um avanço importante em reformas fiscais complexas nos próximos dois anos, dada a dinâmica econômica e política desafiadora, algumas mudanças incluindo uma revisão das regras do serviço público para novos servidores e medidas para reduzir a complexidade do sistema tributário poderiam aliviar a pressão nas finanças públicas do Brasil e estimular o investimento privado no médio prazo.
• Enquanto isso, a eleição presidencial em outubro de 2022 gera incerteza em relação às políticas econômicas e fiscais em um cenário político altamente polarizado. O avanço da consolidação fiscal e das reformas serão um desafio à medida que as eleições se aproximam e os riscos quanto ao curso da pandemia persistem. O presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem ser candidatos competitivos, apesar de seus altos índices de rejeição. As iniciativas de política após a eleição e a capacidade de formular coalizões fortes serão fundamentais para a qualidade de crédito do Brasil.
• Nossa avaliação institucional é suportada por uma estrutura macroeconômica de metas de inflação, que esperamos ser reforçada pela recentemente aprovada autonomia formal do banco central, uma taxa de câmbio flutuante e informação estatística ampla e transparente. Acreditamos que o sistema político tem mantido importantes pesos e contrapesos durante as transições políticas e mesmo durante os episódios recentes de desempenho político mais fraco. No entanto, acreditamos que o Brasil ainda enfrenta obstáculos significativos para criar coesão política e dinâmicas de coalizão que abordem a rigidez fiscal estrutural e a baixa produtividade.
• Os resultados fiscais deterioraram-se acentuadamente devido à contração econômica em 2020 e à ampla resposta de políticas do governo à pandemia. No ano passado, o deficit do governo geral atingiu um máximo histórico de 13,6% do PIB, levando a um aumento da dívida líquida do governo para cerca de 68% do PIB em 2020, ante 54% em 2019. Com a retomada da atividade econômica (levando a uma maior arrecadação de impostos) e a descontinuidade das medidas extraordinárias de apoio, estimamos que o deficit fiscal deverá ficar em torno de 8% do PIB em 2021.
• As autoridades aprovaram gastos moderados acima do teto constitucional este ano (até agora, cerca de 1% do PIB), incluindo prorrogação do auxílio emergencial até julho e de outros programas de apoio. Os riscos para nossa projeção de deficit em 2021 incluem potenciais gastos adicionais acima do teto de gastos à medida que a pandemia continua, visto que o governo sinalizou a possibilidade de prorrogar ainda mais o auxílio emergencial. Ao longo de 2022-2024, projetamos que o deficit fiscal atingirá em média 6,2% do PIB, uma vez que o espaço para reduzir os gastos obrigatórios permanece limitado na ausência de reformas fiscais adicionais, especialmente antes das eleições presidenciais. Receitas extraordinárias, incluindo transferências adicionais do BNDES e outros bancos públicos, bem como os fundos públicos para pagar a dívida, poderiam ajudar a estabilizar a carga da dívida em cerca de 90% do PIB. Em termos líquidos, esperamos que a dívida do governo geral mantenha tendência de alta, se aproximando de 74% do PIB em 2024, ante 68% este ano.
• Uma composição favorável da dívida, os muitos ativos líquidos do governo e passivos contingentes limitados mitigam os riscos de administrar a elevada carga da dívida do Brasil. Desde o final do ano passado, o Tesouro Nacional tem conseguido fortalecer seu colchão de liquidez, reduzindo a incerteza quanto à gestão da dívida nos próximos meses. O governo aproveitou agora a oportunidade para reduzir as emissões em moeda local no mercado doméstico, bem como a concentração em instrumentos de juros prefixados de curto prazo. Como resultado, os vencimentos aumentaram ligeiramente e a pressão sobre a curva de rendimentos diminuiu.
• A dívida pública continua predominantemente em moeda local (a moeda estrangeira representa apenas 5% do total). A participação de não residentes em títulos públicos é inferior a 10% do total. Em nossa opinião, a elevada carga da dívida do Brasil, as grandes necessidades de financiamento e o lento progresso na aprovação de reformas estruturais podem, no entanto, trazer novamente à tona preocupações do mercado doméstico quanto à sustentabilidade da dívida nos próximos anos, levando a condições de financiamento mais desafiadoras.
• O perfil externo do país manteve-se resiliente nos últimos anos, apesar dos episódios frequentes de volatilidade global. Classificamos o real brasileiro como uma moeda ativamente negociada, com base na Pesquisa Trienal de 2019 do Bank for International Settlements, que mostrou que o real contribui com pelo menos 1% do giro do mercado de câmbio global.
• A conta corrente do Brasil está passando por uma elevação cíclica como resultado da melhoria dos termos de troca devido aos preços mais altos das commodities, maior demanda dos EUA e da China por exportações brasileiras, depreciação do real e fraca demanda doméstica. Esperamos que, pela primeira vez desde 2007, o Brasil registre um pequeno superavit em conta corrente em 2021, após um deficit de 1,7% do PIB em 2020. Os preços das commodities e a forte demanda externa, liderada pela China, sustentam as exportações brasileiras de ferro, soja e derivados do petróleo.
• Esperamos que a conta corrente volte a registrar deficit estrutural em 2022. Dessa forma, projetamos que o deficit em conta corrente ficará em média 2,1% em 2022-2024 e que será totalmente coberto pelos investimentos estrangeiros diretos (IED) líquidos. Apesar da queda nos ingressos no ano passado, esperamos que o IED líquido se recupere gradualmente e continue a ser a principal fonte de financiamento do deficit em conta corrente. Acreditamos que o Brasil pode ser vulnerável a mudanças repentinas nos fluxos de IED, pois o passivo externo líquido, que inclui o alto estoque de IED no país, responde por quase 150% das receitas da conta corrente em 2021.
• O país está em uma posição de credor externo líquido estreito desde 2016, resultado de empréstimos externos públicos e privados limitados (incluindo menores participações de não residentes em dívida em moeda local desde que o Brasil perdeu o grau de investimento), combinado com um amplo estoque de reservas internacionais. Projetamos que essa tendência continuará nos próximos três anos (com a dívida externa líquida estreita em -15,6% dos ingressos em conta corrente, em média).
• A inflação permaneceu muito baixa durante o primeiro semestre de 2020, mas acelerou durante o terceiro trimestre como resultado da forte depreciação da taxa de câmbio e da aceleração dos preços das commodities. A inflação medida pelo IPCA superou o limite superior do intervalo de tolerância do banco central (5,25%) em janeiro de 2021 e atingiu 6,8% (em base anual) em abril. O aumento recente decorre principalmente de componentes voláteis, mas as medidas do núcleo da inflação também aumentaram. Os riscos de alta da inflação em nossa projeção para 2021 - em 5,2% no final do ano - incorporam o cenário fiscal incerto. O banco central elevou a taxa básica de juros para 3,5%, versus um nível historicamente baixo de 2% em duas altas consecutivas de 75 pontos base. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou sua intenção de implementar uma “normalização parcial” dos estímulos monetários.
• A autonomia formal do banco central, com o objetivo de reduzir as incertezas relacionadas aos ciclos eleitorais e o risco de interferência política na fixação das taxas de juros, foi aprovada em fevereiro de 2021. Em nossa opinião, essa regra fortalecerá a credibilidade do banco central. Além disso, o banco central tem conseguido avançar em sua agenda de reformas regulatórias.
• Ao mesmo tempo, o setor bancário permanece forte e bem regulado. O desempenho de empréstimos bancários manteve-se resiliente durante a pandemia, apresentando forte crescimento, especialmente no segmento corporativo. Esperamos que o crescimento dos empréstimos diminua em 2021 à medida que as medidas de suporte extraordinário sejam suspensas. Os empréstimos problemáticos (NPL - nonperforming loans) permaneceram muito baixos, em grande parte devido a renegociações e adiamentos de pagamentos.

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