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Explore o rating de crédito de uma empresa ou tı́tulo ou paı́s. Explique as motivações por trás dessa classificação de crédito.

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perguntada Jun 1 em Finanças por danielcajueiro (5,581 pontos)  
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8 Respostas

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respondida Jun 6 por Nagato Eto Kawano (6 pontos)  

RATING DE CRÉDITO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Divulgado pela Standard and Poor´s em 02/06/2021
Sítio: S&P Global Ratings Brasil | Homepage | S&P Global Ratings (spglobal.com)

1) Processo de definição de rating da S&P:

a. Contratação: O emissor solicita um rating e assina um termo de contratação.
b. Pré-avaliação: Compomos uma equipe de analistas para avaliar as informações pertinentes.
c. Reunião com a administração: Nossos analistas se reúnem com a administração do emissor para avaliar e discutir informações.
d. Análise: Nossos analistas avaliam as informações e propõem um rating ao comitê de rating.
e. Comitê de Rating: O comitê avalia a recomendação de rating feita pelo analista principal e então vota o rating de crédito.
f. Notificação: Geralmente fornecemos ao emissor o texto prévio do racional que embasa o rating para que o emissor verifique os fatos e a acuidade das informações analisadas.
g. Publicação: Normalmente publicamos um Comunicado à Imprensa anunciando em nosso website o rating público que possa resultar de uma ação de elevação ou rebaixamento.
h. Monitoramento de ratings de emissores e de emissões: O objetivo do monitoramento é manter a atualidade dos ratings de crédito mediante a identificação de questões que possam resultar em uma elevação ou rebaixamento do rating.

Tabela de rating da S&P Global Ratings:

AAA == Grau de investimento: capacidade extremamente forte de honrar compromissos financeiros

AA == Grau de investimento: capacidade muito forte de honrar compromissos financeiros

A == Grau de investimento: Forte capacidade de honrar compromissos financeiros, mas ligeiramente suscetível às condições econômicas e às mudanças nas circunstâncias

BBB == Grau de investimento: Capacidade adequada de honrar compromissos financeiros, porém mais suscetível a condições econômicas adversas

BB == Grau especulativo: Menos vulnerável no curto prazo, porém enfrenta incertezas contínuas relativas às condições de negócio, financeiras e econômicas adversas

B == Grau especulativo: Mais vulnerável a condições adversas de negócio, financeiras e econômicas, porém atualmente apresenta capacidade de horar compromissos financeiros

CCC == Grau especulativo: Atualmente vulnerável e dependente de condições de negócio, financeiras e econômicas favoráveis para honrar compromissos financeiros

CC == Grau especulativo: Altamente vulnerável; o default ainda não ocorreu, mas espera-se que sua ocorrência seja certa

C == Grau especulativo: Atualmente altamente vulnerável à inadimplência, e espera-se que uma recuperação final seja menor que aquela prevista no caso de obrigações com ratings mais elevados

D == Grau especulativo: Default no pagamento de um compromisso financeiro ou quebra de uma promessa imputada; também utilizado quando um pedido de falência foi registrado

R A T I N G BRASIL - Perspectiva estável

Tipo rating

Moeda local de longo prazo: BB-
Moeda local de curto prazo: B
Moeda estrangeira de longo prazo: BB-
Moeda estrangeira de curto prazo: B
Escala nacional brasil de longo prazo : brAAA

A análise do rating de crédito, seguindo o processo de definição de rating da S&P, os analistas fazem uma análise das estatísticas, como exemplo: pib nomina, real, per capita; balança comercial; reservas; taxa de câmbio; politica fiscal; monetária; Banco Central; cenário político; crise sanitária; eleições presidenciais de outubro/2022; auxílio emergencial e outros, conforme fundamentos apresentados pela agência de rating.

Fundamentos:
• A redução do suporte fiscal extraordinário e receitas fiscais dinâmicas devem suportar uma melhora nas finanças públicas do Brasil este ano, mas o deficit permanecerá elevado no médio prazo sem reformas fiscais estruturais significativas ou um maior crescimento.
• Os esforços de reforma fiscal e microeconômica do governo continuaram em meio à pandemia da COVID-19, embora em um ritmo lento.
• Com a aproximação das eleições presidenciais e a ligeira melhora na economia podem restringir os esforços para angariar amplo apoio do Congresso para medidas que visem facilitar a adesão ao teto de gastos constitucional.
• Projetamos um ligeiro superavit em conta corrente em 2021 devido ao aumento das exportações, ao cenário mais favorável para os preços das commodities e à depreciação cambial. À medida que a economia se recuperar e as restrições a viagens forem suspensas, o saldo em conta corrente voltará a um deficit moderado, que será integralmente financiado por fluxos de investimentos externos diretos.
• A forte posição externa, a política monetária proativa, a taxa de câmbio flutuante e a composição favorável da dívida soberana do Brasil são pontos fortes relativos de crédito, que devem permitir ao país enfrentar as condições adversas.
• O Brasil, assim como a economia global, sentiu um importante impacto da pandemia da COVID-19 e da consequente retração econômica no ano passado. No entanto, a contração do PIB real brasileiro de 4% em 2020 foi relativamente modesta em comparação com muitos pares regionais, resultado da ampla resposta fiscal das autoridades.
• Os preços internacionais das commodities se recuperaram com a maior demanda global,
• suportando uma melhora nos termos de troca do Brasil. Devido aos efeitos de base da contração de 2020 e às forças externas, projetamos que o crescimento econômico do Brasil se recuperará para 4% este ano, moderando para 2,2% em 2022-2024. No entanto, a longa duração da pandemia gera uma grande incerteza quanto ao desempenho econômico e fiscal do Brasil no curto prazo. O ritmo de recuperação da demanda doméstica dependerá em grande parte da capacidade das autoridades de distribuir efetivamente a vacina.
• A aprovação de reformas microeconômicas em vários setores, as condições externas favoráveis e um amplo programa de concessões devem beneficiar o investimento. Ainda assim, a aceleração da inflação e o ciclo de aperto monetário podem prejudicar a retomada da atividade econômica. Além disso, obstáculos estruturais sobretudo as regras tributárias complexas, investimentos públicos fracos, rigidez fiscal e barreiras comerciais - provavelmente continuarão pesando sobre o crescimento no médio prazo. As taxas de crescimento do Brasil são inferiores às de outros países em nível semelhante de desenvolvimento, em nossa opinião. Projetamos o PIB per capita em US$7.107 para 2021.
• A falta de uma coalizão governamental sólida e estável no Congresso e a pressão para manter os gastos elevados em resposta à pandemia têm representado desafios para o avanço rápido da agenda econômica e fiscal do país, em particular porque várias reformas exigem Propostas de Emenda à Constituição (PEC). O Congresso, no entanto, conseguiu aprovar uma PEC Emergencial (PEC 186) em março de 2021 que estabelecia o acionamento de gatilhos (cortes automáticos de gastos) se a despesa obrigatória sujeita ao teto de gastos ultrapassar o limite de 95% dos gastos primários.
• A reforma terá um impacto limitado nas contas públicas em 2021-2022, embora represente uma melhora no quadro fiscal. Embora não esperemos um avanço importante em reformas fiscais complexas nos próximos dois anos, dada a dinâmica econômica e política desafiadora, algumas mudanças incluindo uma revisão das regras do serviço público para novos servidores e medidas para reduzir a complexidade do sistema tributário poderiam aliviar a pressão nas finanças públicas do Brasil e estimular o investimento privado no médio prazo.
• Enquanto isso, a eleição presidencial em outubro de 2022 gera incerteza em relação às políticas econômicas e fiscais em um cenário político altamente polarizado. O avanço da consolidação fiscal e das reformas serão um desafio à medida que as eleições se aproximam e os riscos quanto ao curso da pandemia persistem. O presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem ser candidatos competitivos, apesar de seus altos índices de rejeição. As iniciativas de política após a eleição e a capacidade de formular coalizões fortes serão fundamentais para a qualidade de crédito do Brasil.
• Nossa avaliação institucional é suportada por uma estrutura macroeconômica de metas de inflação, que esperamos ser reforçada pela recentemente aprovada autonomia formal do banco central, uma taxa de câmbio flutuante e informação estatística ampla e transparente. Acreditamos que o sistema político tem mantido importantes pesos e contrapesos durante as transições políticas e mesmo durante os episódios recentes de desempenho político mais fraco. No entanto, acreditamos que o Brasil ainda enfrenta obstáculos significativos para criar coesão política e dinâmicas de coalizão que abordem a rigidez fiscal estrutural e a baixa produtividade.
• Os resultados fiscais deterioraram-se acentuadamente devido à contração econômica em 2020 e à ampla resposta de políticas do governo à pandemia. No ano passado, o deficit do governo geral atingiu um máximo histórico de 13,6% do PIB, levando a um aumento da dívida líquida do governo para cerca de 68% do PIB em 2020, ante 54% em 2019. Com a retomada da atividade econômica (levando a uma maior arrecadação de impostos) e a descontinuidade das medidas extraordinárias de apoio, estimamos que o deficit fiscal deverá ficar em torno de 8% do PIB em 2021.
• As autoridades aprovaram gastos moderados acima do teto constitucional este ano (até agora, cerca de 1% do PIB), incluindo prorrogação do auxílio emergencial até julho e de outros programas de apoio. Os riscos para nossa projeção de deficit em 2021 incluem potenciais gastos adicionais acima do teto de gastos à medida que a pandemia continua, visto que o governo sinalizou a possibilidade de prorrogar ainda mais o auxílio emergencial. Ao longo de 2022-2024, projetamos que o deficit fiscal atingirá em média 6,2% do PIB, uma vez que o espaço para reduzir os gastos obrigatórios permanece limitado na ausência de reformas fiscais adicionais, especialmente antes das eleições presidenciais. Receitas extraordinárias, incluindo transferências adicionais do BNDES e outros bancos públicos, bem como os fundos públicos para pagar a dívida, poderiam ajudar a estabilizar a carga da dívida em cerca de 90% do PIB. Em termos líquidos, esperamos que a dívida do governo geral mantenha tendência de alta, se aproximando de 74% do PIB em 2024, ante 68% este ano.
• Uma composição favorável da dívida, os muitos ativos líquidos do governo e passivos contingentes limitados mitigam os riscos de administrar a elevada carga da dívida do Brasil. Desde o final do ano passado, o Tesouro Nacional tem conseguido fortalecer seu colchão de liquidez, reduzindo a incerteza quanto à gestão da dívida nos próximos meses. O governo aproveitou agora a oportunidade para reduzir as emissões em moeda local no mercado doméstico, bem como a concentração em instrumentos de juros prefixados de curto prazo. Como resultado, os vencimentos aumentaram ligeiramente e a pressão sobre a curva de rendimentos diminuiu.
• A dívida pública continua predominantemente em moeda local (a moeda estrangeira representa apenas 5% do total). A participação de não residentes em títulos públicos é inferior a 10% do total. Em nossa opinião, a elevada carga da dívida do Brasil, as grandes necessidades de financiamento e o lento progresso na aprovação de reformas estruturais podem, no entanto, trazer novamente à tona preocupações do mercado doméstico quanto à sustentabilidade da dívida nos próximos anos, levando a condições de financiamento mais desafiadoras.
• O perfil externo do país manteve-se resiliente nos últimos anos, apesar dos episódios frequentes de volatilidade global. Classificamos o real brasileiro como uma moeda ativamente negociada, com base na Pesquisa Trienal de 2019 do Bank for International Settlements, que mostrou que o real contribui com pelo menos 1% do giro do mercado de câmbio global.
• A conta corrente do Brasil está passando por uma elevação cíclica como resultado da melhoria dos termos de troca devido aos preços mais altos das commodities, maior demanda dos EUA e da China por exportações brasileiras, depreciação do real e fraca demanda doméstica. Esperamos que, pela primeira vez desde 2007, o Brasil registre um pequeno superavit em conta corrente em 2021, após um deficit de 1,7% do PIB em 2020. Os preços das commodities e a forte demanda externa, liderada pela China, sustentam as exportações brasileiras de ferro, soja e derivados do petróleo.
• Esperamos que a conta corrente volte a registrar deficit estrutural em 2022. Dessa forma, projetamos que o deficit em conta corrente ficará em média 2,1% em 2022-2024 e que será totalmente coberto pelos investimentos estrangeiros diretos (IED) líquidos. Apesar da queda nos ingressos no ano passado, esperamos que o IED líquido se recupere gradualmente e continue a ser a principal fonte de financiamento do deficit em conta corrente. Acreditamos que o Brasil pode ser vulnerável a mudanças repentinas nos fluxos de IED, pois o passivo externo líquido, que inclui o alto estoque de IED no país, responde por quase 150% das receitas da conta corrente em 2021.
• O país está em uma posição de credor externo líquido estreito desde 2016, resultado de empréstimos externos públicos e privados limitados (incluindo menores participações de não residentes em dívida em moeda local desde que o Brasil perdeu o grau de investimento), combinado com um amplo estoque de reservas internacionais. Projetamos que essa tendência continuará nos próximos três anos (com a dívida externa líquida estreita em -15,6% dos ingressos em conta corrente, em média).
• A inflação permaneceu muito baixa durante o primeiro semestre de 2020, mas acelerou durante o terceiro trimestre como resultado da forte depreciação da taxa de câmbio e da aceleração dos preços das commodities. A inflação medida pelo IPCA superou o limite superior do intervalo de tolerância do banco central (5,25%) em janeiro de 2021 e atingiu 6,8% (em base anual) em abril. O aumento recente decorre principalmente de componentes voláteis, mas as medidas do núcleo da inflação também aumentaram. Os riscos de alta da inflação em nossa projeção para 2021 - em 5,2% no final do ano - incorporam o cenário fiscal incerto. O banco central elevou a taxa básica de juros para 3,5%, versus um nível historicamente baixo de 2% em duas altas consecutivas de 75 pontos base. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou sua intenção de implementar uma “normalização parcial” dos estímulos monetários.
• A autonomia formal do banco central, com o objetivo de reduzir as incertezas relacionadas aos ciclos eleitorais e o risco de interferência política na fixação das taxas de juros, foi aprovada em fevereiro de 2021. Em nossa opinião, essa regra fortalecerá a credibilidade do banco central. Além disso, o banco central tem conseguido avançar em sua agenda de reformas regulatórias.
• Ao mesmo tempo, o setor bancário permanece forte e bem regulado. O desempenho de empréstimos bancários manteve-se resiliente durante a pandemia, apresentando forte crescimento, especialmente no segmento corporativo. Esperamos que o crescimento dos empréstimos diminua em 2021 à medida que as medidas de suporte extraordinário sejam suspensas. Os empréstimos problemáticos (NPL - nonperforming loans) permaneceram muito baixos, em grande parte devido a renegociações e adiamentos de pagamentos.

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respondida Jun 23 por Sabrina Alencar (21 pontos)  

Uma classificação de crédito é uma opinião de uma agência de crédito específica a respeito da capacidade e disposição de uma entidade (governo, empresa ou indivíduo) de honrar suas obrigações financeiras integralmente e dentro dos prazos estabelecidos.

Também podemos definir uma classificação de crédito como a probabilidade de um devedor entrar em default, além de representar o risco de crédito de um instrumento de dívida - seja um empréstimo ou uma emissão de títulos.

Atribuir uma classificação de crédito não é uma garantia ou garantia de um tipo de desempenho financeiro por um determinado instrumento de dívida ou um devedor específico.

Os rating de créditos emitidos por agências de rating, cuja avaliação busca avaliar a classificação de crédito de um devedor, analisando os atributos qualitativos e quantitativos da entidade em questão, não substituem as de um consultor financeiro ou gestor de carteira.

As informações podem ser obtidas a partir de informações internas fornecidas pela entidade/cliente/tomador, como demonstrações financeiras auditadas, relatórios anuais, bem como informações externas, como relatórios de analistas, artigos de notícias publicados, análise geral da indústria e projeções.

Uma agência de crédito não está envolvida na transação entre as partes, normalmente instituição financeira e um tomador, e, portanto, deve fornecer uma opinião independente e imparcial sobre o risco de crédito assumido por uma determinada entidade que busca levantar dinheiro por meio de empréstimos ou emissão de títulos.

Atualmente, existem três agências de crédito proeminentes que controlam 85% do mercado geral de classificações: Moody's Investor Services, Standard and Poor’s (S&P) e Fitch Group. Tais agências possuem estilos de classificação prórios, porém com semelhancas na forma de indentificar e classificar os possíveis tomadores de créditos

As classificações estão divididas em dois grupos:

GRAU DE INVESTIMENTO: classificações que significam que o investimento é considerado sólido pela agência de classificação e o emissor provavelmente honrará os termos de reembolso. Esses investimentos normalmente têm preços menos competitivos em comparação com investimentos de grau especulativo.

GRAU ESPECULATIVO: classificações de alto risco e, portanto, oferecem taxas de juros mais altas para refletir a qualidade dos investimentos.

As classificações de crédito são usadas por investidores, intermediários, como bancos de investimento, emissores de dívida e empresas e corporações.

Os investidores institucionais e individuais usam as classificações de crédito para avaliar o risco relacionado ao investimento em uma emissão específica, de preferência no contexto de toda a sua carteira.

Intermediários, como banqueiros de investimento, utilizam classificações de crédito para avaliar o risco de crédito e, ainda, derivar preços de emissões de dívida.

Os emissores de dívidas, como empresas, governos, municípios, etc., usam as classificações de crédito como uma avaliação independente de sua qualidade de crédito e risco de crédito associado à emissão de dívidas. Os ratings podem, até certo ponto, fornecer aos investidores em potencial uma ideia da qualidade do instrumento e que tipo de taxa de juros eles devem esperar dele.

As empresas e corporações que buscam avaliar o risco envolvido em uma determinada transação com a contraparte também usam classificações de crédito. Eles podem ajudar entidades que desejam participar de parcerias ou empreendimentos com outras empresas a avaliar a viabilidade da proposta.

Uma classificação de crédito é usada para determinar a qualidade de crédito de uma entidade, em que uma entidade pode ser um indivíduo, uma empresa, uma corporação ou um país soberano. No caso de um empréstimo, a classificação é usada para estabelecer se um empréstimo deve ser concedido em primeiro lugar. Se o processo for além, isso ajuda a decidir o prazo do empréstimo, como datas de reembolso, taxa de juros, etc.

No caso de emissão de títulos, a classificação de crédito indica o valor da corporação ou capacidade do país soberano de reembolsar os pagamentos de títulos em tempo útil. Ajuda o investidor a avaliar se deve ou não investir no título.

Uma pontuação de crédito, no entanto, é estritamente para indicar a saúde de crédito pessoal de um indivíduo. Isso indica a capacidade do indivíduo de realizar uma determinada carga e sua capacidade de honrar os termos e condições do empréstimo, incluindo a taxa de juros e as datas de reembolso.

Uma pontuação de crédito para pessoas físicas é usada por bancos, empresas de cartão de crédito e outras instituições de crédito que atendem pessoas físicas.

As classificações de crédito dos mutuários baseiam-se em diligências substanciais conduzidas pelas agências de classificação.

Embora uma entidade mutuante se esforce para ter a mais alta classificação de crédito possível porque tem um grande impacto nas taxas de juros cobradas pelos credores, as agências de classificação devem ter uma visão equilibrada e objetiva da situação financeira do mutuário e capacidade de serviço / reembolso da dívida.

Uma classificação de crédito determina não apenas se o tomador do empréstimo será aprovado ou não para um empréstimo, mas também a taxa de juros pela qual o empréstimo deverá ser pago.

Como as empresas dependem de empréstimos para muitas despesas iniciais e outras, a negação de um empréstimo pode significar um desastre, e um empréstimo com alta taxa de juros é muito mais difícil de pagar.

A classificação de crédito de uma pessoa deve desempenhar um papel na determinação de quais credores solicitar um empréstimo. O credor certo para alguém com grande crédito provavelmente será diferente do que para alguém com crédito bom ou mesmo ruim.

As classificações de crédito também desempenham um grande papel na decisão de um potencial investidor quanto a comprar ou não títulos. Uma classificação de crédito ruim é um investimento arriscado; indica uma probabilidade maior de que a empresa não consiga fazer seus pagamentos de títulos.

É importante que o tomador do empréstimo permaneça diligente em manter uma alta classificação de crédito. As classificações de crédito nunca são estáticas; na verdade, eles mudam o tempo todo com base nos dados mais recentes, e uma dívida negativa reduzirá até mesmo a melhor pontuação. O crédito também leva tempo para se acumular. Uma entidade com bom crédito, mas um histórico de crédito curto não é vista de forma tão positiva quanto outra entidade com crédito igualmente bom, mas com um histórico de crédito mais longo. Os devedores querem saber se o tomador do empréstimo pode manter um bom crédito de forma consistente ao longo do tempo. Considerando a importância de manter uma boa classificação de crédito, vale a pena pesquisar os melhores serviços de monitoramento de crédito e talvez escolher um como meio de garantir que suas informações permaneçam seguras.

As mudanças na classificação de crédito podem ter um impacto significativo nos mercados financeiros. Um excelente exemplo é a reação adversa do mercado ao rebaixamento da classificação de crédito do governo federal dos EUA pela Standard & Poor’s em 5 de agosto de 2011.

Os mercados de ações globais despencaram durante semanas após o rebaixamento.

Fonte: https://www.moodys.com/ . Acesso em 22/06/2021

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respondida Jun 24 por JANAINA THOMAZI (11 pontos)  

Rating de uma empresa

Com o objetivo de explorar o rating de crédito de uma empresa, utilizamos ao rating de classificação da Moody’s, para avaliar instituições financeiras brasileiras, no ramo de banking.

A classificação analisada está disponível no site da mody’s (moodys.com) com acesso livre, contudo com necessidade de log in.

Para compreender a classificação utilizamos como fonte o documento “Rating Symbols and Definitions”, de 26/1/2021, disponível no endereço
https://www.moodys.com/researchdocumentcontentpage.aspx?docid=PBC_79004.

As consultas foram realizadas no dia 24/6/2021.

Segundo o documento as classificações atribuídas nas escalas globais de longo e curto prazo da Moody's são opiniões prospectivas dos riscos de crédito relativos de obrigações financeiras emitidas por empresas não financeiras, instituições financeiras, veículos de financiamento estruturado, veículos de financiamento de projetos e entidades do setor público.

A Moody's define risco de crédito como o risco de que uma entidade não cumpra suas obrigações financeiras contratuais à medida que vencem e qualquer perda financeira estimada em caso de inadimplência ou redução ao valor recuperável.

As obrigações financeiras contratuais endereçadas por ratings da Moody's são aqueles que exigem, sem considerar a exequibilidade, o pagamento de um valor determinável, que pode variar com base em fontes padrão de variação (por exemplo, taxas de juros flutuantes), por uma data determinável. A classificação da Moody's aborda o emissor, sua capacidade de obter dinheiro suficiente para cumprir a obrigação e disposição para pagar.

Escala de classificação global de longo prazo:

  • Aaa Obrigações avaliadas como Aaa são consideradas da mais alta qualidade, sujeitas ao nível mais baixo de risco de crédito.
  • Aa Obrigações avaliadas como Aa são consideradas de alta qualidade e estão sujeitas a um risco de crédito muito baixo.
  • A Obrigações com classificação A são avaliadas como de grau médio-alto e estão sujeitas à baixo risco de crédito.
  • Baa Obrigações avaliadas em Baa são consideradas de grau médio e estão sujeitas a risco de crédito moderado e, como tal, podem possuir certas características especulativas.
  • Ba As obrigações com rating Ba são consideradas especulativas e estão sujeitas a um risco de crédito substancial.
  • B As obrigações com classificação B são consideradas especulativas e estão sujeitas a alto risco de crédito.
  • Caa Obrigações com rating Caa são consideradas especulativas de má posição e estão sujeitas a um risco de crédito muito alto.
  • Ca As obrigações avaliadas como Ca são altamente especulativas e provavelmente estão em, ou estão muito próximas, de inadimplência, com alguma perspectiva de recuperação de principal e juros.
  • C As obrigações com classificação C têm a classificação mais baixa e normalmente estão em inadimplência, com pouca perspectiva de recuperação de principal ou juros.
    A Moody’s anexa modificadores numéricos 1, 2 e 3 a cada classificação de rating genérica de Aa a Caa. O modificador 1 indica que a obrigação se classifica na extremidade superior de sua categoria de rating genérico; o modificador 2 indica uma classificação intermediária; e o modificador 3 indica uma classificação na extremidade inferior dessa categoria de classificação genérica. Além disso, um indicador “(hyb)” é anexado a todas as classificações de títulos híbridos emitidos por bancos, seguradoras, financeiras e corretoras.

Escala de classificação global de curto prazo:

  • P-1 Emissores (ou instituições de suporte) com rating Prime-1 têm uma capacidade superior para pagar obrigações de dívida de curto prazo.
  • P-2 Emissores (ou instituições de suporte) com rating Prime-2 têm grande capacidade de pagar obrigações de dívida de curto prazo.
  • P-3 Emissores (ou instituições de apoio) com rating Prime-3 têm uma capacidade aceitável para pagar obrigações de curto prazo.
    Emissores NP (ou instituições de apoio) com classificação Not Prime não se enquadram em nenhuma das categorias de classificação Prime.

Rating Outlooks

Ou perspectiva de rating é uma opinião sobre a direção provável do rating no médio prazo. As perspectivas de classificação caem em quatro categorias: Positivo (POS), Negativo (NEG), Estável (STA) e em desenvolvimento (DEV). As perspectivas podem ser atribuídas no nível do emissor ou no nível de classificação.
Uma perspectiva estável indica uma baixa probabilidade de uma mudança de rating no médio prazo. Uma perspectiva negativa, positiva ou em desenvolvimento indica uma maior probabilidade de uma mudança de rating no médio prazo. Um comitê de classificação que atribui uma perspectiva de estável, negativo, positivo ou evoluindo para o rating de um emissor também indica sua crença de que o perfil de crédito do emissor é consistente com o nível de classificação relevante naquele momento.
Historicamente, cerca de um terço dos emissores foram rebaixados (atualizados) dentro de 18 meses após a atribuição de uma nota negativa (positiva) do rating. Após a atribuição inicial de uma perspectiva estável, cerca de 90% das classificações não experimentam nenhuma mudança na classificação durante o ano seguinte.

Classificações de risco de contraparte (CRR)

Os CRRs são opiniões sobre a capacidade das entidades de honrar a parte não garantida dos passivos financeiros da contraparte sem dívida (Passivos CRR) e refletem as perdas financeiras esperadas caso tais passivos não sejam honrados.
Passivos CRR tipicamente referem-se a transações com partes não relacionadas. Exemplos de passivos de CRR incluem a parte não garantida das contas a pagar decorrentes de transações de derivativos e a parcela não garantida de passivos sob acordos de venda e recompra. Enquanto os CRRs refletem o risco de que os passivos de CRR não sejam atendidos em tempo hábil, eles não refletem o risco de que um passivo de CRR esteja sujeito a uma disputa comercial. Para maior clareza, os CRRs não são aplicáveis a compromissos de financiamento ou outras obrigações associadas a títulos cobertos, cartas de crédito, garantias, obrigações de servicer e fiduciário e outras obrigações semelhantes que surgem de um banco no cumprimento de suas funções operacionais essenciais.

Bank Deposit Rating

Os Ratings de Depósito Bancário são opiniões sobre a capacidade de um banco de pagar pontualmente suas obrigações de depósito em moeda estrangeira e / ou nacional e refletem a perda financeira esperada da inadimplência. Os Ratings de Depósito Bancário não se aplicam a depósitos que estão sujeitos a seguro privado; em vez disso, as classificações se aplicam à classe mais júnior de depósitos não segurados, mas podem, em alguns casos incorporar a possibilidade de que o apoio oficial possa, em certos casos, se estender à classe mais jovem de não segurados, bem como aos preferenciais e depósitos segurados. Os ratings de depósito em moeda estrangeira estão sujeitos aos tetos nacionais da Moody's em moeda estrangeira, o que pode resultar em atribuição de uma classificação diferente (e normalmente inferior) para os depósitos em moeda estrangeira em relação à classificação do banco para depósitos em moeda doméstica.

Baseline Credit Assessments (BCA)

As avaliações de crédito de linha de base (BCAs) são opiniões da força intrínseca autônoma dos emissores, na ausência de qualquer suporte extraordinário de um afiliado ou um governo. BCAs são essencialmente uma opinião sobre a probabilidade de um emissor exigir suporte extraordinário para evitar uma inadimplência em uma ou mais de suas obrigações de dívida ou realmente inadimplência em uma ou mais de suas obrigações de dívida na ausência de tais suporte extraordinário.
Como medidas de probabilidade, os BCAs não fornecem uma opinião sobre a gravidade de uma inadimplência que ocorreria na ausência de apoio extraordinário.
As relações contratuais e quaisquer subsídios anuais em curso esperados do governo ou de uma afiliada são incorporados nos BCAs e, portanto, são considerados intrínsecos à força financeira autônoma de um emissor. O suporte extraordinário é tipicamente idiossincrático em natureza e é estendida para evitar que um emissor se torne inviável.
BCAs são expressos em uma escala alfanumérica minúscula que corresponde às classificações alfanuméricas da escala global de longo prazo:

  • aaa Emissores avaliados como aaa são considerados como tendo a maior solidez financeira intrínseca ou autônoma e, portanto, sujeitos ao nível mais baixo de risco de crédito ausente qualquer possibilidade de apoio extraordinário de uma afiliada ou de um governo.
  • aa Emissores avaliados aa são julgados como tendo alta solidez financeira intrínseca ou autônoma e, portanto, sujeitos a risco de crédito muito baixo, na ausência de qualquer possibilidade de apoio extraordinário de uma afiliada ou de um governo.
  • a Emissores avaliados a são julgados como tendo solidez financeira intrínseca ou autônoma de grau alto-médio e, portanto, sujeitos à baixo risco de crédito ausente qualquer possibilidade de apoio extraordinário de uma afiliada ou de um governo.
  • baa Emissores avaliados como baa são julgados como tendo solidez financeira intrínseca ou autônoma de grau médio e, portanto, sujeitos a risco de crédito moderado e, como tal, pode possuir certos elementos de crédito especulativo na ausência de qualquer possibilidade de suporte extraordinário de uma afiliada ou de um governo.
  • ba Emissores avaliados ba são considerados como tendo solidez financeira especulativa intrínseca ou autônoma e estão sujeitos a risco de crédito substancial ausente qualquer possibilidade de apoio extraordinário de uma afiliada ou de um governo.
  • b Emissores avaliados b são julgados como tendo solidez financeira especulativa intrínseca ou autônoma e estão sujeitos a alto risco de crédito na ausência de qualquer possibilidade de apoio extraordinário de uma afiliada ou de um governo.
  • caa Emissores avaliados caa são considerados como tendo solidez financeira especulativa intrínseca ou autônoma e estão sujeitos a risco de crédito muito alto ausente qualquer possibilidade de apoio extraordinário de uma afiliada ou de um governo.
  • Ca Emissores avaliados como ca têm solidez financeira intrínseca ou autônoma altamente especulativa e provavelmente estarão em, ou muito perto de, inadimplência, com alguma perspectiva de recuperação de principal e juros; ou, esses emissores evitaram o inadimplemento ou se espera que evitem o inadimplemento por meio do fornecimento de apoio extraordinário de uma afiliada ou governo.
  • c Emissores avaliados c estão normalmente em default, com poucas perspectivas de recuperação de principal ou juros; ou, esses emissores estão se beneficiando de um governo ou afiliado.

O documento da Mody’s ainda traz símbolos e definições de rating para outras medidas, como o carbono transition assessments, Governace assessments, probability of Default ratings, ESG Credit Impact Scores, dentre outros.

A classificação disponível no site da Moody’s das instituições financeiras brasileiras, no ramo de banking pode ser consultada no link, constiuída por 38 insituições financeiras, dentre elas a Caixa Economica Federal, Banco Itaú , Banco do Brasil, Banco Bradesco e Santander.

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respondida Jun 17 por Marcela S. Almeida (1 ponto)  

Rating de Crédito de uma Empresa

A avaliação do risco de crédito de uma empresa é importante para o processo de intermediação financeira, em que os agentes econômicos superavitários repassam recursos aos agentes deficitários, mediante incentivo de remuneração do dinheiro. Dessa forma, a motivação para a definição de um rating de crédito deriva da necessidade de as Instituições Financeiras assegurarem ações para identificação, mensuração, avaliação, monitoração, reporte e controle dos riscos associados ao processo de concessão de crédito.

Nesse contexto, a definição do rating de crédito de uma empresa está inserida como um mecanismo contido nas políticas e estratégias para o gerenciamento de riscos, especialmente o risco de crédito. Conforme art. 21 da Resolução CMN nº. 4.557/17, o risco de crédito é definido como a possibilidade de ocorrência de perdas associadas ao não cumprimento pela contraparte de suas obrigações nos termos pactuados; desvalorização, redução de remunerações e ganhos esperados em instrumento financeiro decorrentes da deterioração da qualidade creditícia da contraparte, do interveniente ou do instrumento mitigador; reestruturação de instrumentos financeiros; ou custos de recuperação de exposições caracterizadas como ativos problemáticos.

Assim, em geral, o risco de crédito está associado às perdas que o credor pode ter ao fornecer crédito a um devedor inadimplente, que não honre seus compromissos na data ajustada. O principal objetivo da análise de risco de crédito é avaliar a estratégia operacional, tolerância a riscos, políticas financeiras, governança corporativa, além das medidas de fluxo de caixa que apontam a sustentabilidade financeira da proponente frente suas obrigações. O rating, portanto, é uma avaliação de risco. Esta avaliação é feita por meio da mensuração e ponderação das variáveis determinantes do risco da empresa.

O rating é apresentado por meio de um código ou classificação que fornece uma graduação do risco. Os serviços de rating são utilizados normalmente por credores e investidores como uma medida de expectativa de cumprimento de uma obrigação numa data certa. Há também as tradicionais agências de risco, que são as empresas especializadas na análise e atribuição de uma graduação de risco.

A avaliação de risco de crédito pode ser obtida por meio de modelos de avaliação de risco desenvolvidos por metodologia estatística, que consiste na atribuição de uma nota de risco (score) para um candidato à obtenção de crédito, a partir de informações consideradas relevantes na definição da sua capacidade de crédito. É utilizado para a avaliação da qualidade de crédito de clientes, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Por meio da ponderação de vários fatores - idade, profissão, renda, atividade profissional, patrimônio, tipo de residência, entre outras, classifica os clientes em duas categorias:

  • Bons pagadores - os que, potencialmente, têm condições para honrar as obrigações do empréstimo obtido.
  • Maus pagadores - os que, potencialmente, não reúnem as condições para cumprir as obrigações do crédito.

Nos casos em que não se obtém informações suficientes para o desenvolvimento de um modelo estatístico, é utilizado o Risk Rating ou método especialista. Nessa avaliação, o conhecimento especializado é fundamental para a realização de um julgamento subjetivo, onde são atribuídos pesos aos fatores avaliados, com a finalidade de classificação do tomador e/ou operação.

Trata-se de uma metodologia que avalia uma série de fatores, atribuindo uma nota a cada um deles e, posteriormente, uma nota final ao conjunto destes fatores analisados. Com base nesta nota final é atribuído um risk rating, ou seja, uma classificação para o risco, que determina o valor (risco de crédito) que a instituição financeira dará ao tomador do crédito.

Uma das metodologias mais difundidas para análise de risco de crédito é a dos C do crédito, segundo a qual o analista deve identificar seis grupos de informações características da empresa: Caráter, Capacidade, Capital, Colateral, Condições e Conglomerado. Tais Informações contêm as variáveis relacionadas ao risco do cliente (risco intrínseco) que poderão fornecer a base para a classificação do risco (rating).

No Brasil, a Resolução CMN nº 2682/99 determinou as escalas de classificação de risco e fixou os respectivos percentuais de provisionamento para crédito de liquidação duvidosa. Do ponto de vista da Instituição Financeira, a graduação do risco de crédito do cliente cumpre duplo papel. Primeiro, serve como referencial para identificar a chance de perda de uma determinada operação e, dessa forma, orientar a precificação do empréstimo ou financiamento. Segundo, atende às exigências das autoridades monetárias do país, que sugere uma tendência internacional de utilização de sistemas de classificação de risco (rating) como uma forma de graduar a carteira de crédito de banco (portfolio risk) e, consequentemente, orientar o provisionamento dos créditos de liquidação duvidosa.

A classificação adotada pela referida resolução define as seguintes classes de provisionamento para as operações de crédito.

Classe de risco - % de Provisionamento conforme Re. CMN nº 2.682/99
AA - 0%
A - 0,5%
B - 1%
C - 3%
D - 10%
E - 30%
F - 50%
G - 70%
H - 100%

Quanto à classificação dos contratos, a referida resolução definiu que a classificação das operações deve considerar, no mínimo, os seguintes fatores:

Do Devedor/Garantidor:

· Situação econômico-financeira;
· Grau de endividamento;
· Capacidade de geração de resultado;
· Fluxo de caixa;
· Administração e qualidade dos controles;
· Pontualidade e atrasos de pagamento;
· Contingências;
· Setor de atividade econômica.

Operação:

· Natureza e finalidade;
· Suficiência e liquidez das garantias;
· Valor.

O critério de classificação separa o risco do cliente (risco intrínseco) do risco da operação. No risco do cliente (no caso, pessoa jurídica), estão sendo considerados atributos como a situação econômico-financeira (e vários itens que fazem parte da análise financeira), administração e controle, pontualidade e atrasos de pagamentos, contingências e o setor de atividade econômica. No risco da operação, verifica-se a natureza, finalidade, valor e garantia (com ênfase na liquidez e suficiência).

É importante destacar que numa análise mais detalhada para se chegar a classificação do conjunto das operações de um cliente junto a um banco, é necessário considerar, no mínimo as seguintes dimensões: risco intrínseco do cliente; risco da operação que esteja sendo analisada; risco do conjunto das operações do cliente; e risco das operações com o conglomerado (grupo).

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respondida Jun 17 por FRANCISCO A BARROSO (21 pontos)  

Rating de crédito de uma empresa

As agências de classificação de risco de crédito trabalham com diferentes escalas que, em geral, começam com a nota máxima e vão decrescendo à medida que o risco observado aumenta. Porém, independente da escala utilizada, é de fácil entendimento.

Para determinar o rating de crédito, todas as agências observam as perspectivas da empresa e do setor onde opera, do país onde está sediada, possíveis efeitos do cenário político-econômico (interno e externo) sobre o desempenho da empresa, o ambiente regulatório, participação dos sócios (qualidade gerencial e estratégica) e informações contábeis periodicamente disponibilizadas no mercado, que possibilitam analisar a liquidez, o grau de endividamento, a lucratividade operacional, a rentabilidade e, dentre outras, a capacidade de geração de fluxos de caixa para cobrir pagamentos de juros e principal.

Os riscos de crédito de um banco (bank credit rissk) podem ser classificados em quatro grupos: (i) risco do cliente ou risco intrínseco (intrinsic risk); (ii) risco da operação (transaction risk); (iii) risco de concentração (concentration risk); e (iv) risco da administração de crédito (credit management risk). Essa forma de classificação é de grande auxílio ao gestor de risco de crédito, auxiliando na redução das perdas decorrentes da assunção de riscos indevidos, bem como propiciando a busca da maximização do valor do banco a partir da tomada de decisão orientada pela avaliação da relação risco e retorno.

O risco de crédito do cliente Pessoa Jurídica (intrínseco) decorre de suas características, ou seja, o não-cumprimento da promessa de pagamento pelo devedor pode estar associado a um conjunto de fatores relacionados ao próprio devedor, os quias podem ser resumidos nos chamados Cs do crédito (Caráter, Capacidade, Capital, Condições e Conglomerado), que fornecem a base para a classificação do risco (rating). Essa classificação, além de possibilitar melhor decisão na precificação do empréstimo ou financiamento, também deve levar a uma adequada escolha das garantias. A seguir, uma descrição resumida de cada C:
- Caráter: consiste em analisar o comportamento do cliente no mercado de crédito, levando em consideração a idoneidade, o compromisso em honrar dívidas, pontualidade, etc;
- Capacidade: refere-se ao julgamento subjetivo do analista quanto à habilidade dos clientes no gerenciamento e conversão de seus negócios em receita.
- Capital: medido pela situação financeira e patrimonial da empresa, levando-se em consideração a composição (quantitativa e qualitativa) dos recursos, onde são aplicados e como são financiados”;
- Condições: verifica fatores externos à empresa, integra o macroambiente em que ela atua e foge de seu controle;
- Conglomerado: analisa as informações da situação de outras empresas situadas num mesmo grupo econômico e como poderão afetar a empresa em estudo.

A escolha das garantias, geralmente, é realizada por ocasião da avaliação da operação de crédito, momento em que se verifica mais um C de Colateral. As garantias são tratadas como decorrência do risco que o cliente representa, ou seja, à medida que o risco aumenta, deverá haver maior preocupação com a qualidade e liquidez das garantias.

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respondida Jun 21 por Edson Carvalho (6 pontos)  

Rating de Crédito de uma empresa: Azul Linhas Aéreas S.A. e Azul Investments LLP.
Publicado em 07/06/2021 por Fitch Ratings.

A Fitch Ratings anunciou no dia 07/06/2021 que elevou o rating de longo prazo na escala nacional da Azul de ‘CCC (bra)’ para ‘B’ (bra) e atribuiu perspectivas de rating positivas (Positive Rating Outlooks) aos ratings da Azul nas escalas internacional e nacional.
Segundo a agência de avaliação de risco, as perspectivas de rating positivas refletem a melhor posição de liquidez e flexibilidade financeira da Azul nos últimos trimestres. Elas também incorporam a forte posição de negócios domésticos e malha da Azul, que deve se beneficiar de uma recuperação no tráfego aéreo doméstico durante o segundo semestre de 2021, conforme o plano de vacinação seja implementado no Brasil.
A Fitch também afirmou os Ratings de Inadimplência do Emissor (IDRs) de Longo Prazo em Moeda Estrangeira e Local da Azul SA (Azul) em ‘CCC+’, bem como o rating ‘CCC+/RR4’ das notas seniores sem garantia com vencimento em 2024 que foram emitidas por Azul Investments LLP.
Além disso, atribuiu um rating ‘CCC+/RR4’ para até US$ 600 milhões em notas não garantidas de cinco a sete anos a serem emitidas pela Azul Investments, que serão totalmente garantidas pela Azul e sua subsidiária Azul Linhas Aéreas Brasileiras SA. O uso dos recursos é para fins corporativos gerais.

Principais drivers da Classificação

Forte Posição no Mercado Doméstico: O perfil de crédito da Azul se beneficia de sua posição única no mercado de aviação regional no Brasil, com forte presença em mercados mal atendidos e sobreposição limitada de rotas com as concorrentes GOL e LATAM. A Azul é a única prestadora de serviços em 77% de suas rotas e é uma das duas maiores companhias aéreas do Brasil, com uma participação de mercado de cerca de 31% medida em receita-passageiro-quilômetro (RPK) em 2020. Como o Brasil é o principal mercado da empresa, os resultados operacionais da Azul são altamente correlacionados à economia brasileira.

Programa Brasileiro de Vacinação: Experiências em todo o mundo indicam uma forte correlação entre os níveis de vacinação e uma retomada das viagens aéreas domésticas. A Azul está posicionada de forma única como uma companhia aérea doméstica líder para se beneficiar de um retorno à atividade de viagens mais normal durante os próximos 12 a 24 meses, conforme refletido pela Perspectiva Positiva. Cerca de 49 milhões de pessoas, ou 23% da população brasileira, receberam a primeira dose da vacina e cerca de 23 milhões, ou apenas 11% da população, receberam a segunda dose.

Maior flexibilidade financeira: a Azul melhorou sua posição de liquidez nos últimos trimestres. A empresa continua tendo acesso ao mercado de crédito e tem se beneficiado da flexibilidade financeira proporcionada por seus fornecedores. A forte posição de caixa da Azul deve ajudá-la a suportar a volatilidade de curto prazo se uma terceira onda de casos de COVID-19 ocorrer durante a vacinação.

Recuperação em meados de 2022: O caso-base atual da Fitch para o setor aéreo doméstico brasileiro pressupõe uma recuperação que só alcançará os níveis de tráfego de 2019 em meados de 2022. Com sua rede única, bem como sua estratégia de crescimento mais agressiva, a Azul superou o mercado geral. A Fitch espera que os RPKs da Azul fiquem 15% abaixo dos valores pré-Covid de 2019 durante 2021, bastante superior em comparação aos níveis de 2020 que foram 40% abaixo dos de 2019. A dinâmica da indústria deve permanecer inalterada no curto a médio prazo, com os passageiros de lazer representando uma proporção maior do mix, o que deve limitar uma recuperação mais substancial dos rendimentos.

Pressão de fluxo de caixa: A Azul fez avanços importantes nas iniciativas de custos e na renegociação com fornecedores, mas o ritmo lento de recuperação do tráfego aéreo e R$ 1,5 bilhão de capex resultará em FCF negativo de R$ 1,9 bilhão em 2021. Esses números se comparam com R$ 453 milhões de capex em 2020 e R$ 310 milhões de FCF negativo. A flexibilidade financeira da empresa foi auxiliada por acordos de cronogramas de pagamento com locadores que proporcionaram alívio de capital de giro de cerca de R$ 3,2 bilhões até 2021. As taxas de arrendamento mensais mais baixas serão compensadas por taxas um pouco mais altas a partir de 2023 ou pela prorrogação de determinados contratos de arrendamento a taxas de mercado.

Estratégia de crescimento a observar: A Azul tem mostrado uma estratégia de crescimento agressiva nos últimos anos em termos de crescimento orgânico e recentemente declarou seu interesse em consolidar ainda mais o mercado doméstico local. A empresa declarou interesse em fusão / associação com as operações da Latam Airlines no Brasil e está em negociações com credores. A empresa chilena, que ainda está em processo de Chapter 11 nos EUA, não declarou interesse no negócio.

RESUMO DE DERIVAÇÃO

O Positive Outlook da Azul reflete a expectativa da Fitch de que a empresa esteja posicionada exclusivamente para se beneficiar de uma recuperação da demanda doméstica de viagens aéreas. A classificação 'CCC+', no entanto, reflete a continuação de muita incerteza quanto ao tempo e escopo da recuperação. A posição de liquidez da Azul é positiva e se compara bem com seu par mais bem avaliado, GOL Linhas Aereas Inteligentes S.A (CCC+). A Azul tem maior alavancagem operacional em relação à GOL.
A Azul tem uma posição mais fraca em relação aos pares globais, dada a sua diversificação geográfica limitada e uma alavancagem operacional relativamente alta; no entanto, sua forte posição no mercado regional brasileiro, as altas margens operacionais e um histórico de fortes índices de liquidez têm sido os principais impulsionadores de rating. Esses fatores positivos são temperados pelo contínuo crescimento dos negócios da empresa e pela volatilidade operacional relacionada ao seu principal mercado, o Brasil. A exposição ao risco fx é um fator de crédito negativo para a Azul considerando sua diversificação geográfica limitada; a empresa implementou uma posição de hedge cambial que mitiga parcialmente esse risco.

PRINCIPAIS SUPOSIÇÕES
 Durante 2021, o caso base da Fitch inclui uma redução de 15% no RPK, com uma recuperação total para os níveis de 2019 ocorrendo até 2022;
 Fatores de carga em torno de 80% durante 2021 e 2022;
 Capex de R$ 1,5 bilhão por ano para 2021 e 2022.

SENSIBILIDADES DE CLASSIFICAÇÃO
Fatores que poderiam, individual ou coletivamente, levar a ação/atualização de avaliação positiva:
 Recuperação sólida do tráfego aéreo doméstico no Brasil;
 Melhoria de materiais na posição de liquidez da empresa e no perfil de amortização de dívidas;
 Índices de alavancagem líquida abaixo de 4,5x até 2022.
 Fatores que poderiam, individual ou coletivamente, levar a ação/downgrade de rating negativo:
 Deterioração do perfil de liquidez da Azul ou dificuldades para continuar acessando linhas de crédito;
 Desaceleração no ritmo da implantação de vacinas no Brasil.

MELHOR/PIOR CENÁRIO DE CLASSIFICAÇÃO
As classificações de crédito em escala internacional de emissores corporativos não financeiros têm um cenário de atualização de rating na melhor das hipóteses (definido como o 99º percentil de transições de rating, medido em uma direção positiva) de três entalhes ao longo de um horizonte de classificação de três anos; e um cenário de rebaixamento de classificação na pior das hipóteses (definido como o percentil 99 das transições de classificação, medido em uma direção negativa) de quatro entalhes ao longo de três anos. O período completo de classificações de crédito de melhor e pior cenário para todas as categorias de classificação varia de 'AAA' a 'D'. As melhores e piores classificações de crédito são baseadas no desempenho histórico.

ESTRUTURA DE LIQUIDEZ E DÍVIDA
Boa Posição de Caixa: A Azul detinha o caixa disponível em 31 de março de 2021, segundo cálculo da Fitch. Isso se compara com R$ 3,5 bilhões de dívida de curto prazo, incluindo R$ 3,0 bilhões de obrigações de arrendamento. No mesmo período, a dívida total da Azul foi de R$ 21,9 bilhões. Isso consiste principalmente em R$ 14,1 bilhões de obrigações de arrendamento, R$ 2,5 bilhões de debêntures conversíveis, R$ 2,5 bilhões de notas de antiguidade transfronteiriços, R$ 1,3 bilhão em empréstimos de aeronaves e motores e R$ 701 milhões em debêntures locais a partir de 30 de junho de 2020.
A Azul não possui uma linha de crédito em espera comprometida, mas tem a opção de emitir mais R$ 500 milhões de dívida relacionada às suas debêntures conversíveis. Dando volatilidades contínuas no mercado, a capacidade contínua da Azul de acessar mercados de crédito/dívida durante 2021 e 2022 é fundamental para manter os níveis de caixa saudáveis. A Azul considera que sua posição de liquidez é reforçada em R$ 1,0 bilhão em recebíveis de conta, R$ 1,8 bilhão em depósitos de segurança e reservas de manutenção e R$ 1,1 bilhão em recebíveis de longo prazo.

PERFIL DO EMISSOR
A Azul é uma das maiores companhias aéreas locais do Brasil. Possui uma presença importante no mercado regional e é a única companhia aérea em 77% de suas rotas. A partir de 31 de dezembro de 2020, 18% e 8% de sua rede nacional se sobrepõem à GOL e à LATAM, respectivamente. A participação de mercado da Azul foi de 31% em 2020.

FONTE PARA CONSULTA
https://www.fitchratings.com/research/corporate-finance/fitch-assigns-positive-outlook-to-azul-affirms-idrs-at-ccc-07-06-2021 acessado em 20/06/2021.

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respondida Jul 20 por Jonas Novaes (1 ponto)  

12º Emissão de Debentures da CESP - COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO (CNPJ 60.933.603/0001-78)

PERFIL DO EMISSOR

A Companhia Energética de São Paulo (CESP) é uma empresa de capital aberto que opera o Porto Primavera, uma usina hidrelétrica (UHE) de 1,5 GW localizada na região Sudeste do Brasil. A CESP é controlada pela VTRM Energia e Participações SA (VTRM), joint venture 50/50 entre a Votorantim Geração de Energia SA e o fundo canadense CPPIB. A VTRM detém 40% do capital total da CESP e 93,5% do capital votante, sendo o restante em circulação. A empresa foi privatizada em 2018 e está listada na bolsa de valores brasileira B3. Mais de 80% da projeção de receita da CESP até 2024 é garantida por contratos de compra de energia (PPAs) de longo prazo ajustados pela inflação.

DETALHES DO TÍTULO

Ticker: CESPA2
Código ISIN: BRCESPDBS2B8
Nível de Dívida: Sênior sem garantia de ativos reais (debentures simples não conversíveis em ações de espécie quirografária em serie única)
Data da Emissão: 15/08/2020
Data de Vencimento: 15/08/2030
Volume da Série: R$ 1.500.000.000,00
Quantidade na Emissão: 1.500.000

AGÊNCIA DE RATING

Avaliação pela FITCH RATINGS BRASIL LTDA.
A Fitch Ratings foi paga para determinar cada rating de crédito listado neste relatório de classificação de risco de crédito pelo devedor ou emissor classificado, por uma parte relacionada que não seja o devedor ou o emissor classificado, pelo patrocinador (“sponsor”), subscritor (“underwriter”), ou o depositante do instrumento, título ou valor mobiliário que está sendo avaliado.

HISTÓRICO DE CLASSIFICAÇÃO

Longo Prazo Moeda Estrangeira (LT FC IDR)
19/07/2021 (afirmado): BB (perspectiva negativa)
17/12/2020 (revisão): BB (perspectiva negativa)
29/07/2020 (novo): BB (perspectiva negativa)

Longo Prazo Moeda Local (LT LC IDR)
19/07/2021 (afirmado): BB+ (perspectiva estável)
17/12/2020 (revisão): BB+ (perspectiva estável)
29/07/2020 (novo): BB+ (perspectiva estável)

Rating Nacional de Longo Prazo (Natl LT)
19/07/2021 (afirmado): AAA (bra) (perspectiva estável)
17/12/2020 (revisão): AAA (bra) (perspectiva estável)
29/07/2020 (novo): AAA (bra) (perspectiva estável)

Senior Unsecured (Natl LT)
19/07/2021 (afirmado): AAA (bra) (perspectiva estável)
29/07/2020 (novo): AAA (bra) (perspectiva estável)

Os Ratings de Inadimplência do Emissor (IDRs) da Cesp refletem um perfil de negócios de moderado a forte no segmento de geração de energia elétrica no Brasil, conservadora estrutura de capital, forte posição de liquidez e alongado cronograma de vencimento da dívida.

Ratings de Inadimplência do Emissor de Longo Prazo em Moeda Estrangeira (LT FC IDR):
O LT FC IDR da CESP é limitado pelo teto país brasileiro de 'BB' e sua perspectiva negativa segue o 'BB - '/ Rating soberano negativo.
Como a companhia recebe todas as suas receitas em reais, sem caixa ou linhas de crédito compromissadas no exterior, a Fitch não acredita que seu IDR em Moeda Estrangeira ficará acima do teto-país (‘BB’).

Ratings de Inadimplência do Emissor de Longo Prazo em Moeda Local (LT LC IDR ) e Rating na Escala Nacional de Longo Prazo (Natl LT):
O LT LC IDR e o Rating na Escala Nacional da CESP refletem seu perfil de moderado a forte no segmento de geração de energia no Brasil, apesar da concentração de ativos. A empresa deve permanecer com uma estrutura de capital conservadora, forte posição de liquidez e cronograma de vencimento de dívida alongado, mesmo considerando as condições hidrológicas desafiadoras em 2021 e 2022.

Proposta da 12ª emissão de debêntures da Companhia Energética de São Paulo (Cesp):
A Fitch Ratings atribuiu o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA (bra)’ à proposta da 12ª emissão de debêntures da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), no valor de BRL1,5 bilhão, com vencimento em 2030. A proposta de emissão, da espécie quirografária, será realizada em série única. Os recursos foram utilizados na amortização antecipada parcial da 11ª emissão de debêntures da companhia, realizada para o pagamento da outorga de renovação da concessão da Usina Hidrelétrica (UHE) Porto Primavera.

FUNDAMENTOS PARA O RATING

Robustez para Enfrentar a Crise Hídrica: A CESP possui um balanço forte para absorver os efeitos da piora das condições hidrológicas no Brasil, apesar de ser mais afetada do que seus pares médios. A CESP depende exclusivamente de geração hídrica e carrega consigo déficits de energia herdados de uma gestão anterior.

Alavancagem permanece conservadora: Os efeitos tanto da piora do ambiente hidrológico quanto dos fluxos de caixa contingentes revisados são administráveis devido à histórica baixa alavancagem e alta flexibilidade financeira da CESP.

FCF Pré-Dividendos continua forte: O fluxo de caixa das operações (CFFO) da CESP deve se manter robusto mesmo diante da piora do cenário hidrológico, com alguma redução compensada pela menor distribuição de dividendos.

Carteira de Vendas de Alta Qualidade: As vendas para empresas de geração e distribuição de energia apresentam baixo risco de contraparte e representam cerca de 60% e 20%, respectivamente, do total das vendas contratadas a serem liquidadas até 2024. Isso compensa alguma concentração que possa existir em alguns clientes. O crescimento do negócio de trading facilitará a diversificação de clientes, mas deve gerar margens negativas.

Concentração de ativos: a CESP se compara negativamente com seus pares em termos de base de ativos e diversificação. A UHE Porto Primavera responde por 95% da energia assegurada total da empresa e deve se tornar o único ativo da empresa até maio de 2022. Isso ocorre após o término da concessão da UHE Paraibuna, assumindo que a empresa aceitará uma extensão estimada de 15 meses com base na Lei 14.052 / 20, para a qual não haverá desembolso de caixa. Apesar dos riscos mais elevados associados à concentração de ativos, a estratégia da administração em focar no descarte antes da expansão é positiva para o crédito.

Acontecimentos negativos sobre contingências: A Fitch revisou as estimativas de entradas de caixa decorrentes da disputa legal a respeito da indenização da UHE Três Irmãos. O novo cenário base assume uma primeira parcela em 2023, ao invés de 2021.

Litígios: Os litígios fora do balanço, dos quais 66% referem-se a ações com probabilidade de perda remota, julgada pela CESP, continuarão apresentando risco de cauda no futuro próximo. No entanto, o efeito de caixa de perdas inesperadas provavelmente seria diluído ao longo de vários anos.

PRINCIPAIS PRESSUPOSTOS

As principais premissas da Fitch em nosso caso de classificação para o emissor incluem GSF; Volume de vendas (aMW); Preço médio ponderado de venda (R $ / MWh); Volume de compra (aMW); Preço médio ponderado de compra (R $ / MWh); Dividendos (BRL Mi.); Indenização da UHE Três Irmãos; Litígios.

LIQUIDEZ E ESTRUTURA DA DÍVIDA

Forte Perfil de Liquidez: A CESP deve manter níveis de liquidez conservadores nos próximos anos, apesar da expectativa de FCFs negativos até 2022. A empresa também conta com acesso a fontes diversificadas de financiamento.

FONTES PARA CONSULTAS:

https://data.anbima.com.br/debentures/emissores/60933603000178/emissoes/12/series/CESPA2/caracteristicas
https://www.fitchratings.com/research/corporate-finance/fitch-affirms-cesp-ratings-19-07-2021
https://www.fitchratings.com/research/pt/corporate-finance/correcao-fitch-atribui-pela-primeira-vez-idr-bb-a-cesp-perspectiva-negativa-08-09-2020
https://www.fitchratings.com/research/pt/corporate-finance/fitch-atribui-rating-aaa-bra-a-proposta-de-12a-emissao-de-debentures-da-cesp-17-08-2020
https://www.fitchratings.com/research/corporate-finance/fitch-assigns-first-time-bb-idr-to-cesp-outlook-negative-29-07-2020
https://api.mziq.com/mzfilemanager/v2/d/4b910d37-62a7-44b9-9499-cdd9d68a3094/6de7f680-3880-ac76-e660-ea2885e7b3c4?origin=2
https://conteudos.xpi.com.br/renda-fixa/cespa2/

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respondida 6 dias atrás por Renata (1 ponto)  

Risco de crédito de uma empresa

A Moody´s América Latina Ltda. ("Moody’s Local") atribuiu em 29/06/21 o rating de emissor AAA.br à Ambev S.A.(Ambev). Ao mesmo tempo, atribuiu o rating AAA.br para a 1ª emissão de debênture sênior sem garantia. Com perspectiva estável.

O relatório está disponível no site da Moody´s no endereço: https://www.moodyslocal.com/0994f50c-80bf-4dac-b3c5-93bdfb95ba7f

Ratings de emissores são opiniões sobre a capacidade do devedor de honrar dívida sênior sem garantia e obrigações semelhantes a dívida.

Para atribuir e monitorar seus ratings, a principal fonte de informações utilizada pela Moody’s é o próprio emissor, seus agentes e consultores legais e financeiros. Tais informações incluem demonstrações financeiras periódicas, projeções financeiras, relatórios de análise da administração e similares, prospectos de emissão e documentos e contratos comerciais, societários, jurídicos e de estruturação financeira. Além de informações de domínio público, incluindo informações publicadas por reguladores, associações setoriais, institutos de pesquisa, agentes setoriais ou de governo, e autarquias e órgãos públicos.

O rating AAA.br é o patamar mais alto da escala de ratings da Moody´s conforme tabela abaixo:

Rating de Longo Prazo em Escala Global

Aaa - Obrigações classificadas como Aaa são consideradas da mais alta qualidade, sujeitas ao nível mais baixo de risco de crédito.

Aa - Obrigações classificadas como Aa são consideradas de alta qualidade e estão sujeitas a um risco de crédito muito baixo.

A - Obrigações classificadas como A são consideradas de grau superior médio e estão sujeitas a baixo risco de crédito.

Baa - Obrigações classificadas como Baa são consideradas de médio grau e estão sujeitas ao risco de crédito moderado e, por isso, podem

apresentar certas características especulativas.

Ba - Obrigações classificadas como Ba são consideradas especulativas e estão sujeitas a substancial risco de crédito.

B - Obrigações classificadas como B são consideradas especulativas e estão sujeitas a elevado risco de crédito.

Caa- Obrigações classificadas como Caa são consideradas especulativas com baixo posicionamento e estão sujeitas a risco de crédito muito elevado.

Ca - Obrigações classificadas como Ca são altamente especulativas e estão em default ou muito próximo a ele, com alguma perspectiva de recuperação de principal e juros.

C - Obrigações classificadas como C representam a mais baixa classificação e normalmente em default, apresentando poucas perspectivas de recuperação do principal ou juros.

De acordo com o relatório, os motivadores para atribuição do rating foram os seguintes:

· A Ambev é uma das maiores cervejarias do mundo, com presença em 18 países, sua posição de liderança em mercados como Brasil e Canadá, e seu vasto portfólio de marcas de bebidas alcoólicas e não alcoólicas. A empresa se beneficia de sua diversificação e reconhecimento de marca, enquanto sua escala se traduz em maior poder de barganha com fornecedores.

· Adicionalmente, sua diversidade geográfica e de produtos mitiga a volatilidade do fluxo de caixa decorrente de eventos climáticos ou rupturas de mercado em regiões específicas.

· A posição dominante da empresa no mercado brasileiro, sua forte capacidade de execução e seu rígido controle de custos permitiram que ela resistisse à recente desaceleração da economia local e ainda mantivesse uma rentabilidade e indicadores de crédito excepcionalmente fortes.

· Além disso, a limitada dependência da Ambev ao sistema bancário local como fonte de financiamento relevante, sua robusta geração de caixa fora do Brasil, seu vasto portfólio de ativos em múltiplos países, e sua importância para o acionista controlador AnheuserBusch InBev SA / NV (ABI) ajudam a compensar o efeito negativo dos vínculos da empresa com a economia brasileira.

· Os ratings da Ambev incorporam a volatilidade de seus custos, cujos insumos são vinculados a commodities, e sua dependência em estratégias de hedge eficazes. Além disso, existe uma probabilidade de pagamentos de dividendos elevados e contínuos ao seu acionista controlador, ABI.

A perspectiva estável dos ratings refletiu as métricas de crédito excepcionalmente fortes da companhia, sua posição competitiva dominante e sua resiliência operacional. Esses fatores, junto com outras características da companhia, ajudam a reduzir sua exposição ao Brasil, onde mais de 50% de seu EBITDA é gerado. As previsões da Moody´s para o segundo semestre de 2021 é de que os preços médios da Ambev aumentem mais do que a média da inflação, mas não na mesma proporção de seus custos. Com isso, espera que o EBITDA caia moderadamente durante 2021, mas sem que isso impacte o perfil de crédito da empresa.

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