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Explore o rating de crédito de uma empresa ou tı́tulo ou paı́s. Explique as motivações por trás dessa classificação de crédito.

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perguntada Jun 1 em Finanças por danielcajueiro (5,486 pontos)  
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30 Respostas

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respondida Ago 28 por Adriana de Almeida (6 pontos)  

O rating de crédito de uma empresa expressa a probabilidade de inadimplência do tomador. Podemos citar como motivação para desenvolvimento de um modelo de mensuração de risco de crédito (rating), além da questão regulamentar (Res. 2682/99), a estratégia das instituições financeiras em otimizar o retorno das operações de crédito concedidas.
É importante também discorrer sobre as motivações por trás da escolha de cada variável de análise.
Os bancos podem desenvolver modelos internos para emissão do rating, mas também podem contratar os serviços de emissão de rating das agências especializadas na emissão de rating. As agencias (big 4) mantém suas metodologias divulgadas ao público em geral em suas páginas na internet e grosso modo, segregam as variáveis de análise em dois grandes grupos: Risco do Perfil de Negócios e Risco do Perfil Financeiro.
Quando se avalia o risco de crédito no segmento de varejo, tradicionalmente, são utilizados modelos amparados na metodologia de Regressão Logística, no entanto, a medida que o faturamento dos clientes avaliados vai aumentando, a regressão logística vai perdendo acurácia e vão sendo agregadas variáveis qualitativas a fim de melhorar a acurácia do modelo.
Fazendo um paralelo com o modelo das agências, essas variáveis qualitativas são mensuradas na componente Perfil de Risco do Negócio.
Merton (1974) propôs um modelo de avaliação de risco de crédito para cias de capital aberto (portanto, com negociação em bolsa), o qual em síntese vai trabalhar com a variável Valor Econômico para estimar o risco de crédito (spread de crédito).
Assim, destaco como premissa implícita as seguintes motivações, tomado por base a teoria dos 5 C´s do crédito:
Caráter: identificar se existe a possibilidade de o tomador não honrar com suas obrigações, ainda que ele disponha de disponibilidades suficientes para cobrir as despesas da operação;
Capacidade- identificar se os administradores da cia tem expertise necessária para garantir a perenidade operacional e financeira do tomador;
Capital – Verificar se a cia tem equilibrado suas fontes de financiamento, mantendo um nível adequado de geração de caixa e retorno aos acionistas;
Condições – Verificar qual o impacto de alterações no ambiente macroeconômico sobre os negócios da cia, e sua capacidade de resposta a essas oscilações
Colateral – Verificar o nível de proteção das garantias ofertadas na operação, descolando o risco da operação do risco do tomador (otimização de capital e redução nos níveis de provisionamento).

Assim, na avaliação do risco sobrerano, não é diferente do já apresentado para o rating das empresas, no entanto, destaco como principal variável observada nesse caso o nível de maturidade do ambiente regulatório e jurídico, que é o que vai dar segurança ao investidor externo que, em caso de default, ele terá condições de executar e acessar os recursos (pagamento) da operação.

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respondida Ago 28 por Francisco Assis (1 ponto)  

A Moody´s por meio do Relatório de Crédito de JUL 21 reforçou ao Rating AAA.br atribuído a AMBEV S.A. (Ambev), com tendência de estabilidade.

A agência de rating destaca que o elevado nível de rating atribuído a Ambev refletem sua composição com umas das maiores cervejarias do mundo, presentes em 18 países, com posição de liderança em mercados relevantes como Brasil e Canadá, além de portfólio de marcas e bebidas amplo que inclui marcas globais e locais de bebidas alcoólicas e não alcoólicas. E essa ampla diversificação e força corporativa se traduzem em maior poder de negociação com fornecedores, que aliado à sua presença global mitiga volatilidades do seu fluxo de caixa, eventualmente decorrentes de eventos climáticas ou rupturas de mercado.

O relatório destaca que no mercado brasileiro a Ambev, em decorrência de sua forte capacidade de execução e rígido controle de custos, conseguiu resistir a retração da atividade econômica no país e manteve indicadores de rentabilidade e de crédito significativamente fortes.

Como desafios, a Moody´s destaca a volatilidade de seus custos, com insumos são vinculados a commodities e a variação cambial, que trazem grande dependência em estratégias de hedge eficazes. Adicionalmente, existe uma probabilidade de pagamentos de dividendos elevados e contínuos ao seu acionista controlador, a ABI.
A robusta estrutura financeira e operacional da companhia, com sua favorável situação econômico, a coloca no patamar mais alto da escala da Moody´s e portanto não podem ser elevados.

Pontos fortes de crédito
• Larga escala, diversificação geográfica e reconhecimento de marca.
• Margens elevadas e métricas de crédito saudáveis.
• Líder de mercado no Brasil e no Canadá, com forte capacidade de execução e controle estrito de custos

Desafios de crédito
• Elevado nível de pagamento de dividendos para ABI

METODOLOGIA MOODY´s

A metodologia de atribuição de rating da Moody´s, utilizada na avaliação da Ambev, considera 4 fatores gerais de rating: Escala (receita); Perfil de Negócios (posição competitiva; diversificação de negócios e base de negócios); Rentabilidade e Eficiência (tendência de receita e sustentabilidade da margem); e Alavancagem e Cobertura (dívida/ebtida; EBIT/Despesas financeira; CFO/dívida; FFO/dívida; e FCR/dívida).

O fator Escala considera a dimensão do negócio e seu sucesso em atrair múltiplos clientes, além de sua força para resistir a choques, sejam de demanda ou de volatilidade de custos.
Em Perfil de Negócios, as avaliações visam observar a capacidade da companhia em gerar lucros e fluxos de caixa operacionais de modo sustentável, considerando se a posição competitiva e diversificação de negócios permite estabilidade das receitas e margens no longo prazo.

A avaliação do fator Rentabilidade e Eficiência pondera a relevância das margens de lucro como indicador da força da marca e reputação da empresa, sua sustentabilidade, capacidade de investir em pesquisa, instalações, pessoal e, principalmente, da capacidade de controlar custos. O item avalia o quão rentável e eficiente é uma companhia e sua força para resistir a crises econômicas e cíclicas com menor impacto na sua capacidade de pagar dívidas e outras obrigações.

Os indicadores que compõe o fator Alavancagem e Cobertura fornecem informações sobre a capacidade financeira de uma empresa e sua viabilidade no longo prazo, demonstrando condições para investimento.

Aos fatores de avaliação supracitados a Moody´s adiciona uma avaliação de quesitos qualitativos para apuração do rating. Segundo a agência, podem ser considerados na avaliação: Histórico Financeiro Disponível; Divulgações e Controles financeiros, ponderando as considerações da auditoria independente responsável pelas DF´s da companhia; e Considerações Ambientais, Sociais e de Governança; Política Financeira; Risco de Evento, risco de um evento inesperado cause uma inesperada perda de qualidade creditícia.

Por fim, a avaliação considera uma Avaliação de Suporte, ou seja, a capacidade de suporte apresentado pelos controladores, subsidiárias e governos que a companhia pode receber, seja por meio de injeção de capital; garantia direta ou indireta. Quanto aos governos, são ponderados: qualidade creditícia do governo; se governo e empresa são conjuntamente suscetíveis a circunstâncias adversas; e a probabilidade de suporte governamental ser fornecido no prazo necessário.

Após a avaliação dos fatores e condições adicionais a Moody´s atribui rating a companhia e/ou seu instrumento de crédito emitido.

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respondida Set 2 por Ricardo Alves (1 ponto)  

Conforme pesquisado, o rating de crédito é uma classificação de risco importante no mercado financeiro e de capitais. Muitas vezes, este indicador define o sucesso da captação.

Para o caso em comento, segue a avaliação realizada na empresa BRK Ambiental.
Em pesquisa ao sítio da empresa, verifica-se que a BRK Ambiental é uma das maiores empresas privadas de saneamento do Brasil. Mantém investimentos em mais de 100 municípios do país, disponibilizando serviços que beneficiam mais de 16 milhões de pessoas.

Atuam na gestão de serviços de água e esgoto e no desenvolvimento de outras diversas soluções ambientais para uma ampla variedade de demandas.

A BRK Ambiental acredita no potencial de inovação que emerge da parceria entre poder público e iniciativa privada.

De acordo com o site, "trabalhamos com foco no desenvolvimento sustentável e na melhoria da qualidade de vida das comunidades onde estamos presentes. Contribuir com o desenvolvimento sustentável do país passa também pela construção de sólidos processos e políticas de governança corporativa, atendidos em nossa estrutura de gestão empresarial".

Seguindo nosso propósito de transformação, estão comprometidos com a agenda ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) estruturada com foco na construção de um modelo de negócio resiliente de alto impacto.

Em 29 de junho de 2021, a agência Moody’s América Latina decidiu retirar todos os seus ratings de crédito emitidos anteriormente sob a marca Moody’s Investors Service por razões próprias de negócio. Ao mesmo tempo, a Moody’s América Latina atribuiu novos ratings de crédito de acordo com uma metodologia distinta da anterior, sob nova marca Moody’s Local Brasil e plataforma de ratings domésticos.

Companhia Ratings Agência Escala Nacional Perspectiva Data
BRK Ambiental Corporativo Moody´s AA-.br Negativa 29/06/2021
BRK Ambiental 8a Emissão Moody´s A+.br Negativa 29/06/2021

Os ratings atribuídos à BRK Ambiental refletem (i) o perfil sólido de negócios da companhia que é suportado por uma base de clientes diversificada e contratos de longo prazo, baixa elasticidade da demanda e acordos contratuais que mitigam o risco de receita em parcerias público-privadas (PPPs) e contratos take-or-pay, (ii) liquidez e perfil de vencimento de dívida adequados, bem como um bom acesso aos mercados de dívida, e (iii) dívida nas subsidiárias com características contratuais que fornecem proteção adicional aos credores para uma parcela significativa da dívida consolidada da companhia.

Os CFRs Ba2/Aa3.br também levam em consideração (i) as métricas de crédito fracas da BRK Ambiental, como mostrado pelo fluxo de caixa operacional (FFO) sobre dívida líquida de 6,4%, a cobertura de juros pelo FFO de 1,5x e a dívida líquida sobre EBITDA (como reportado pela companhia) de 5,2x no fim de 2017, (ii) uma parcela significativa de projetos em fase ramp up levando as elevadas necessidades de Capex, as quais a Moody's espera que deverão resultar em geração de fluxo de caixa livre negativo nos próximos 3 a 5 anos, e (iii) exposição a risco de intervenção política na área de concessão da companhia, apesar de ele ser mitigado pela diversificação de receita.

O CFR considera também a expectativa da Moody's que o acionista controlador principal, a Brookfield Asset Management Inc. (Baa2, estável), contribuirá positivamente para a implementação da estratégia de redução de custos da companhia por meio de serviços compartilhados e otimização da estrutura da dívida da companhia.

Entre 17 ativos, dos quais a BRK Ambiental possui controle majoritário, no segmento residencial, 16 estão atualmente em fase ramp-up e exigirão investimentos significativos nos próximos 3 a 5 anos. Embora a Moody's reconheça a complexidade relativamente baixa dos investimentos associados à expansão da rede de água e esgoto, a agência acredita que sua implementação continuará a representar um desafio para a administração da companhia daqui por diante.

A perspectiva estável do rating reflete a expectativa da Moody's que a BRK Ambiental será bem-sucedida em melhorar seu desempenho operacional e implementar seu plano de Capex com custos excedentes mínimos, de tal forma que a cobertura de juros pelo FFO se aproxime de 2,0x e o FFO sobre dívida líquida fique acima de 8% nos próximos 12 a 18 meses.

A Moody's considera o perfil de liquidez da BRK Ambiental adequado. Em dezembro de 2017, a companhia tinha R$ 544 milhões em caixa disponível (incluindo caixa restrito) ante R$ 604 milhões em dívidas com vencimento em 2018. A BRK Ambiental possui um perfil de vencimento de dívida de longo prazo, com vencimento em torno de 11 anos em média. Apesar da geração de fluxo de caixa livre negativo em consequência do plano de Capex significativo, a Moody's espera que a BRK Ambiental continuará a ter um bom acesso aos mercados de dívida e de capital para cobrir os vencimentos de dívida no prazo apropriado. A Moody's leva em consideração também compromissos de capital de acionistas de aproximadamente US$ 190 milhões (o equivalente a R$ 680 milhões) que ainda serão injetados na companhia.

O QUE PODERIA PROVOCAR UMA ELEVAÇÃO OU REBAIXAMENTO DO RATING

A deterioração do desempenho operacional da companhia e/ou sobre-custos de investimentos significativos de forma que os índices de cobertura de juros pelo FFO e FFO sobre dívida líquida permaneçam abaixo de 1,8x e 8x, respectivamente, em 2019, poderiam resultar em um rebaixamento dos ratings. A percepção de uma política financeira mais agressiva e/ou uma deterioração da qualidade de crédito soberano do Brasil poderiam exercer também pressão negativa sobre os ratings.

Por outro lado, uma elevação dos ratings pode ser considerada se houver melhoras mais rápido que esperado da geração de fluxo de caixa operacional e redução da alavancagem, tais como uma cobertura de juros pelo FFO maior que 2,0x e o FFO sobre Dívida Líquida superior a 15% em bases sustentáveis. Uma elevação dependeria também de a companhia manter um perfil de liquidez consolidado e uma política financeira conservadora.

A BRK Ambiental é a maior empresa privada de serviços de abastecimento de água no Brasil em receitas, com 22 ativos de água e esgoto, dois quais 14 são operados por meio de acordos de concessão, 7 por parcerias público-privadas (PPPs) e um por contrato de locação de ativos. A companhia atende a 15 milhões de habitantes em 184 municípios em 12 estados. A BRK Ambiental opera também três empresas de serviços para clientes industriais e um ativo pequeno de resíduos sólidos para o município de São Paulo. A companhia é controlada por um consórcio de investidores liderado pela Brookfield Asset Management Inc. (Baa2, estável) que detém 70% do capital da companhia, enquanto o fundo de infraestrutura do governo federal brasileiro FI-FGTS possui os outros 30%. Em 2017, a companhia reportou R$ 2,1 bilhões em receitas líquidas e R$ 255 milhões em lucro líquido.

A metodologia principal usada nestes ratings foi Concessionárias de Serviços Públicos Regulados de Água (Regulated Water Utilities), publicada em dezembro de 2015. Consulte a página de Metodologias de Rating em www.moodys.com.br para uma cópia desta metodologia.

Os Ratings em Escala Nacional da Moody's (NSRs) pretendem ser medidas relativas de idoneidade creditícia entre emissões e emissores de dívida dentro de um país, possibilitando aos participantes do mercado uma melhor diferenciação dos riscos relativos. OS NSRs são diferentes dos ratings da escala global no sentido de que não são globalmente comparáveis ao universo completo das entidades classificadas pela Moody's, mas apenas com outras entidades classificadas dentro do mesmo país. Os NSRs são designados por um modificador ".nn" que indica o país relevante, como ".za" no caso da África do Sul. Para mais informações sobre a abordagem da Moody's para ratings na escala nacional, consulte a Metodologia de Ratings da Moody's publicada em maio de 2016 sob o título "Equivalência entre os Ratings na Escala Nacional e os Ratings na Escala Global" ("Mapping National Scale Ratings from Global Scale Ratings"). Embora os NSRs não tenham significado absoluto inerente em termos de risco de default ou perda esperada, pode-se inferir uma probabilidade histórica de default consistente com um dado NSR a partir do GSR para o qual o NSR mapeia em um momento específico. para informações sobre taxas de default históricas associadas às diferentes categorias de escalas globais de ratings em distintos horizontes de investimentos consulte https://www.moodys.com
/researchdocumentcontentpage.aspx?docid=PBC_1113601

comentou Set 3 por Camilaspinto (21 pontos)  
Ricardo, havia inserido minha resposta como comentário da sua resposta por engano!
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respondida Set 3 por Camilaspinto (21 pontos)  

Fitch Ratings - New York - 24 Aug 2021
Empresa:Banco Citibank S.A. (Citi Brasil)
Rating Longo Prazo: ‘AAA(bra)’
Rating Curto Prazos: ‘F1+(bra)’

O Citi Brasil iniciou suas atividades em 1915. Atualmente, opera nos segmentos de banco de investimento, private banking e commercial bank. Pela Fitch, obteve rating AAA de longo prazo e rating F1+ de curto prazo, os quais denotam a mais alta qualidade de crédito, ou seja, a menor expectativa de risco de inadimplência possível no longo e curto prazo, respectivamente.

Conforme publicação da agência de classificação, as principais motivações para os ratings aplicados foram a capacidade do Citigroup Inc em dar suporte à instituição subsidiária no Brasil, já que essa possui porte pequeno frente à controladora, e qualquer suporte necessário por parte da controladora para socorrer a subsidiária não a afetaria de maneira relevante financeiramente. Outro fundamento decorre de o Brasil ser mercado estratégico e um dos mais importantes dentre os mercados emergentes para o grupo.

Além desses, são citados como pontos capturados pelo rating ou pontos positivos observados:
O potencial risco de transferência e conversibilidade de fundos oriundos do Citigroup;
A forte integração administrativa e operacional entre o banco e o grupo;
O bom desempenho como banco cativo do atacado, papel destacado em função da pandemia de covid-19;
Qualidade de ativos nos últimos períodos, dado o seu baixo apetite ao risco;
Bons índices de rentabilidade;
Sólida capitalização do banco;
Confortável posição de liquidez;
Fontes de captação bem diversificadas.

Como foram atribuídos, pela agência de classificação, os melhores ratings possíveis, não há fatores e perspectivas de elevação de rating para o Citibrasil. Por outro lado,
alterações negativas relevantes na classificação e Perspectiva do Citigroup Inc. ou a alteração da percepção da Fitch com relação ao suporte que poderia ser provido pela controladora do grupo ao Citibrasil, poderiam levar ao rebaixamento dos ratings do Citibrasil.

Fazendo uma relação com os C's do crédito, verifica-se que os ratings de curto e longo prazo atribuídos ao Citi Brasil refletem principalmente o C de Conglomerado.

Referência
https://www.fitchratings.com/research/pt/banks/fitch-affirms-banco-citibank-sa-national-rating-at-aaa-bra-outlook-stable-24-08-2021

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respondida Set 3 por Leonardo R D Caetano (6 pontos)  

Rating de Crédito da Itaipu Binacional, emitido pela Fitch Ratings em 8/3/2021.

Para melhor compreensão o rating é o resultado de uma análise realizada por agências classificadores quanto ao risco de crédito dado a um país, empresa ou título. Através de uma análise fundamentalista são avaliados o ambiente macroeconômico em que a empresa está exposta (país ou região), o setor em que atua e, por fim, as caraterísticas do negócio, a governança, estrutura societária e aspectos financeiros.

O rating mede a capacidade e disposição do ente avaliado em honrar obrigações financeiras com credores, em sua totalidade e tempestivamente. É importante destacar que o rating é uma medida comparativa e não absoluta.
As análises são realizadas por metodologias próprias das agências de classificação, dentre as quais, podemos citar as três grandes no mercado global: Fitch Ratings, Moody’s e S&P Global Ratings.

Há notações diferentes de rating em cada agência, conforme demonstrado abaixo, inclusive com a classificação de cada nota atribuída:

A imagem será apresentada aqui.

AAA, AA, A e BBB (ou Aaa, Aa, A, Baa): São de qualidades altas, sendo AAA a mais alta.
BB (ou Ba), B: São os chamados ratings de grau especulativo e altamente especulativo, sendo aqueles na faixa B os mais arriscados.
CCC, CC (ou Caa, Ca), C: São de riscos mais elevados. C indica um risco excepcionalmente alto.
D: Indica “default”, ou seja, as dívidas não foram honradas.

De modo geral as agências de avaliação são contratadas pela instituição a ser avaliada para ter embasamento da sua estrutura de dívida, atingindo um custo de dívida condizente com seu risco. Vale lembrar que muitos fundos de investimento tem restrições para investimento em empresas ou títulos que não possuam rating ou rating abaixo de um nível pré-determinado.

Por isso, considerando que, em geral, um investidor requer maior investimento quanto maior o risco que corre, percebe-se que empresas com ratings mais baixos emitirão dívidas a taxas mais altas para compensar o risco mais elevado.

Não se pode considerar também o rating como uma recomendação de compra ou venda, pois apenas indica o quão o investimento é ou não segundo a classificação atribuída.

Então, deve ser considerado como um componente na tomada de decisão para o investimento, mas não o único.

Apresentamos a seguir o rating da empresa citada, Itaipu Binacional:

Na análise em questão a Fitch Rating ‘AA(bra)’, com perspectiva estável (essa notação indica a capacidade de pagamento dentro do Brasil, ou seja, não é, necessariamente, a mesma capacidade de honrar com suas obrigações de uma empresa com a mesma classificação em outros países).
Na avaliação a Fitch ressalta que o rating é limitado pelo forte vínculo do perfil de crédito da companhia com o do Brasil, como país também avaliado, que teve a classificação ‘BB-‘, com perspectiva negativa.
O perfil de crédito de Itaipu se beneficia da grande previsibilidade de seu fluxo de caixa, proveniente do Tratado de Itaipu, assinado entre o Brasil e República do Paraguai (Paraguai - IDRs 'BB+' (BB mais)/Perspectiva Estável). O tratado estabelece que a tarifa a ser cobrada pela empresa deve ser definida anualmente, em dólares, e suficiente para cobrir todos os seus gastos operacionais, investimentos e obrigações financeiras.
A Perspectiva Estável reflete a expectativa de manutenção dos fortes vínculos entre o perfil de crédito da companhia e o do Brasil, bem como dos termos do tratado nos próximos anos.

Principais Fundamentos do Rating:

Forte Vínculo com o Brasil: O rating de Itaipu é limitado por seu forte vínculo com o Brasil, embora o Paraguai seja mais dependente de sua energia. Os dois países dividem o
controle da companhia, mas o Brasil adquire cerca de 85% da energia produzida pela empresa e financia ou garante 95% de sua dívida por meio do Tesouro Nacional ou do BNDES. Os vínculos legais tendem a se enfraquecer, no entanto, à medida que essas dívidas sejam reduzidas, até o vencimento, em 2023.

Elevada Previsibilidade do Fluxo de Caixa: O perfil de crédito de Itaipu se beneficia de seu positivo histórico de eficiência operacional e da previsibilidade de seu fluxo de caixa. O tratado garante remuneração, por prazo indeterminado, para 87% de sua capacidade instalada, de 14 GW. O acordo também prevê a definição anual de uma tarifa que suporte todos os gastos operacionais, investimentos e serviço da dívida. Portanto, a expectativa é que, durante a vigência dos termos do tratado, a empresa apresente fluxo de caixa livre (FCF) anual positivo e próximo ao saldo da dívida amortizada no período.

Brasil e Paraguai utilizam a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras, IDRs 'BB–' (BBmenos)/Perspectiva Negativa e Rating Nacional de Longo Prazo #39;AA(bra)'/Estável) e Administración Nacional de Eletricidad (Ande, não classificada), os dois controladores de Itaipu, para adquirir sua energia e vendê-la em seus respectivos mercados. No caso da Eletrobras, o órgão regulador nacional aloca um percentual da energia de Itaipu em diversas distribuidoras. Quaisquer descasamentos entre receitas e custos podem ser compensados no reajuste tarifário do ano seguinte, a critério do conselho de administração da geradora.

Redução da Alavancagem: A alavancagem financeira deve manter sua trajetória de queda após amortizações de USD1,8 bilhão em 2020 e USD1,9 bilhão em 2021, não acompanhadas por novas captações. A Fitch espera que o índice dívida líquida/EBITDA da
companhia diminua para cerca de 0,8 vez em 2021, frente a 1,7 vez em 2020 e 2,9 vezes em
2019. A partir de 2023 a companhia deve carregar saldo de caixa superior à dívida. A redução da alavancagem em 2020 foi acelerada pela alta do dólar, que deve impulsionar o FCF para USD1,7 bilhão no ano, maior valor desde 2008. Cerca de 70% dos custos e das despesas operacionais é denominada em moedas locais (real ou guarani).

Inexistência de Riscos Hidrológico e Regulatório: Itaipu não enfrenta risco hidrológico nem riscos regulatórios associados ao setor elétrico no Brasil ou no Paraguai. Os termos comerciais do Tratado de Itaipu se baseiam na capacidade instalada da usina, e não na energia produzida, o que faz com que a empresa não seja obrigada a comprar energia de terceiros para atender seus consumidores durante situações hidrológicas adversas, como as de 2019 e 2020.

Impacto Neutro da Revisão Contratual: O cenário-base da Fitch não considera eventuais impactos significativos decorrentes da revisão dos termos comerciais do tratado, que deverá ser formalizada até 2023, podendo resultar em alterações no atual modelo de comercialização da potência de Itaipu. Caso a negociação seja restrita às participações de cada país na potência contratada, nos moldes do acordo firmado em dezembro de 2019, os resultados da companhia não serão afetados.

Sensibilidade dos Ratings:
Influências que podem, individual ou coletivamente, elevar a classificação:
-- Ações positivas relativas ao rating soberano do Brasil.
-- Revisão do Anexo C do tratado binacional, com efeitos favoráveis para Itaipu, associados a um enfraquecimento dos vínculos com o Brasil.

Influências que podem, individual ou coletivamente, rebaixar a classificação:
-- Ações negativas relativas ao rating soberano do Brasil;
-- Alterações no tratado bilateral e/ou no Anexo C do tratado, com significativos efeitos desfavoráveis à companhia.

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respondida Set 3 por Leonardo R D Caetano (6 pontos)  

Rating de Crédito da Itaipu Binacional, emitido pela Fitch Ratings em 8/3/2021.

Para melhor compreensão o rating é o resultado de uma análise realizada por agências classificadores quanto ao risco de crédito dado a um país, empresa ou título. Através de uma análise fundamentalista são avaliados o ambiente macroeconômico em que a empresa está exposta (país ou região), o setor em que atua e, por fim, as caraterísticas do negócio, a governança, estrutura societária e aspectos financeiros.

O rating mede a capacidade e disposição do ente avaliado em honrar obrigações financeiras com credores, em sua totalidade e tempestivamente. É importante destacar que o rating é uma medida comparativa e não absoluta.
As análises são realizadas por metodologias próprias das agências de classificação, dentre as quais, podemos citar as três grandes no mercado global: Fitch Ratings, Moody’s e S&P Global Ratings.

Há notações diferentes de rating em cada agência, conforme demonstrado abaixo, inclusive com a classificação de cada nota atribuída:

A imagem será apresentada aqui.

AAA, AA, A e BBB (ou Aaa, Aa, A, Baa): São de qualidades altas, sendo AAA a mais alta.
BB (ou Ba), B: São os chamados ratings de grau especulativo e altamente especulativo, sendo aqueles na faixa B os mais arriscados.
CCC, CC (ou Caa, Ca), C: São de riscos mais elevados. C indica um risco excepcionalmente alto.
D: Indica “default”, ou seja, as dívidas não foram honradas.

De modo geral as agências de avaliação são contratadas pela instituição a ser avaliada para ter embasamento da sua estrutura de dívida, atingindo um custo de dívida condizente com seu risco. Vale lembrar que muitos fundos de investimento tem restrições para investimento em empresas ou títulos que não possuam rating ou rating abaixo de um nível pré-determinado.

Por isso, considerando que, em geral, um investidor requer maior investimento quanto maior o risco que corre, percebe-se que empresas com ratings mais baixos emitirão dívidas a taxas mais altas para compensar o risco mais elevado.

Não se pode considerar também o rating como uma recomendação de compra ou venda, pois apenas indica o quão o investimento é ou não segundo a classificação atribuída.

Então, deve ser considerado como um componente na tomada de decisão para o investimento, mas não o único.

Apresentamos a seguir o rating da empresa citada, Itaipu Binacional:

Na análise em questão a Fitch Rating ‘AA(bra)’, com perspectiva estável (essa notação indica a capacidade de pagamento dentro do Brasil, ou seja, não é, necessariamente, a mesma capacidade de honrar com suas obrigações de uma empresa com a mesma classificação em outros países).
Na avaliação a Fitch ressalta que o rating é limitado pelo forte vínculo do perfil de crédito da companhia com o do Brasil, como país também avaliado, que teve a classificação ‘BB-‘, com perspectiva negativa.
O perfil de crédito de Itaipu se beneficia da grande previsibilidade de seu fluxo de caixa, proveniente do Tratado de Itaipu, assinado entre o Brasil e República do Paraguai (Paraguai - IDRs 'BB+' (BB mais)/Perspectiva Estável). O tratado estabelece que a tarifa a ser cobrada pela empresa deve ser definida anualmente, em dólares, e suficiente para cobrir todos os seus gastos operacionais, investimentos e obrigações financeiras.
A Perspectiva Estável reflete a expectativa de manutenção dos fortes vínculos entre o perfil de crédito da companhia e o do Brasil, bem como dos termos do tratado nos próximos anos.

Principais Fundamentos do Rating:

Forte Vínculo com o Brasil: O rating de Itaipu é limitado por seu forte vínculo com o Brasil, embora o Paraguai seja mais dependente de sua energia. Os dois países dividem o
controle da companhia, mas o Brasil adquire cerca de 85% da energia produzida pela empresa e financia ou garante 95% de sua dívida por meio do Tesouro Nacional ou do BNDES. Os vínculos legais tendem a se enfraquecer, no entanto, à medida que essas dívidas sejam reduzidas, até o vencimento, em 2023.

Elevada Previsibilidade do Fluxo de Caixa: O perfil de crédito de Itaipu se beneficia de seu positivo histórico de eficiência operacional e da previsibilidade de seu fluxo de caixa. O tratado garante remuneração, por prazo indeterminado, para 87% de sua capacidade instalada, de 14 GW. O acordo também prevê a definição anual de uma tarifa que suporte todos os gastos operacionais, investimentos e serviço da dívida. Portanto, a expectativa é que, durante a vigência dos termos do tratado, a empresa apresente fluxo de caixa livre (FCF) anual positivo e próximo ao saldo da dívida amortizada no período.

Brasil e Paraguai utilizam a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras, IDRs 'BB–' (BBmenos)/Perspectiva Negativa e Rating Nacional de Longo Prazo #39;AA(bra)'/Estável) e Administración Nacional de Eletricidad (Ande, não classificada), os dois controladores de Itaipu, para adquirir sua energia e vendê-la em seus respectivos mercados. No caso da Eletrobras, o órgão regulador nacional aloca um percentual da energia de Itaipu em diversas distribuidoras. Quaisquer descasamentos entre receitas e custos podem ser compensados no reajuste tarifário do ano seguinte, a critério do conselho de administração da geradora.

Redução da Alavancagem: A alavancagem financeira deve manter sua trajetória de queda após amortizações de USD1,8 bilhão em 2020 e USD1,9 bilhão em 2021, não acompanhadas por novas captações. A Fitch espera que o índice dívida líquida/EBITDA da
companhia diminua para cerca de 0,8 vez em 2021, frente a 1,7 vez em 2020 e 2,9 vezes em
2019. A partir de 2023 a companhia deve carregar saldo de caixa superior à dívida. A redução da alavancagem em 2020 foi acelerada pela alta do dólar, que deve impulsionar o FCF para USD1,7 bilhão no ano, maior valor desde 2008. Cerca de 70% dos custos e das despesas operacionais é denominada em moedas locais (real ou guarani).

Inexistência de Riscos Hidrológico e Regulatório: Itaipu não enfrenta risco hidrológico nem riscos regulatórios associados ao setor elétrico no Brasil ou no Paraguai. Os termos comerciais do Tratado de Itaipu se baseiam na capacidade instalada da usina, e não na energia produzida, o que faz com que a empresa não seja obrigada a comprar energia de terceiros para atender seus consumidores durante situações hidrológicas adversas, como as de 2019 e 2020.

Impacto Neutro da Revisão Contratual: O cenário-base da Fitch não considera eventuais impactos significativos decorrentes da revisão dos termos comerciais do tratado, que deverá ser formalizada até 2023, podendo resultar em alterações no atual modelo de comercialização da potência de Itaipu. Caso a negociação seja restrita às participações de cada país na potência contratada, nos moldes do acordo firmado em dezembro de 2019, os resultados da companhia não serão afetados.

Sensibilidade dos Ratings:
Influências que podem, individual ou coletivamente, elevar a classificação:
-- Ações positivas relativas ao rating soberano do Brasil.
-- Revisão do Anexo C do tratado binacional, com efeitos favoráveis para Itaipu, associados a um enfraquecimento dos vínculos com o Brasil.

Influências que podem, individual ou coletivamente, rebaixar a classificação:
-- Ações negativas relativas ao rating soberano do Brasil;
-- Alterações no tratado bilateral e/ou no Anexo C do tratado, com significativos efeitos desfavoráveis à companhia.

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respondida Set 4 por Elisa Santos (1 ponto)  
editado Set 4 por Elisa Santos

Um rating é nota de crédito emitida por uma agência de classificação de risco com o intuito de avaliar a qualidade de crédito de uma determinada empresa ou mesmo um país.

Ou seja, os ratings são avaliações sobre a capacidade de um emissor cumprir com suas obrigações financeiras e pagar seus credores dentro prazo estabelecido previamente. Quanto maior a nota, mais confiável a instituição é.

No mercado financeiro, essa avaliação é usada pelos investidores e profissionais da área para definir o grau de risco de um determinado investimento e assim saber se é, ou não um bom negócio investir em uma empresa ou país específico.

Existem várias agências de rating espalhadas pelo mundo, sendo as três mais conhecidas a Fitch, Standard & Poor’s e Moody’s, e cada uma delas possui uma metodologia diferente de avaliação.

Contudo de maneira geral, existem alguns fatores que são sempre considerados:

balanço patrimonial;
patrimônio líquido;
ativos, passivos;
fluxo de caixa; e
projeções estatísticas.

Além disso, também são avaliados fatores como cenário de negócios, legislação e situação do setor em que cada empresa atua.

Uma vez que os levantamentos são feitos as agências de classificação dividem as empresas e países em dois grupos principais: um com grau de investimento e outro com grau especulativo.

O primeiro grupo abrange instituições e países que têm boa capacidade de honrar suas obrigações e quitar suas dívidas e, portanto, têm menor possibilidade de dar calote.

No segundo grupo estão as empresas ou países com uma situação contrária, ou seja, quem tem grandes chances de não conseguir pagar suas dívidas.

Dessa maneira, a classificação de risco de uma instituição serve como uma espécie recomendação, ou não, para que os investidores apliquem seu dinheiro.

Mas, além desses grupos básicos existem ainda outras diversas subclassificações que indicam o nível de cada empresa dentro de determinado grupo.

Níveis de rating
Em relação aos níveis de classificação, eles também variam de acordo com cada empresa. A S&P e a Fitch, por exemplo, classificam as empresas de “AAA” até “D”, em que “AAA” é o melhor nível “D” o pior.

Já a Moody’s usa uma faixa de avaliação que varia entre AAA e C.

O rating se torna um indicador que pode ajudar a mitigar riscos de investimentos e atrair investidores para produtos mais seguros.

As próprias empresas que contratam as agências de classificação de risco para fazer essa avaliação. Esse estudo é fundamental para ajudar a atrair os possíveis investidores.

É muito importante avaliar o nível de risco tanto do título quanto do emissor na hora de fazer uma aplicação em títulos de dívida.

Isso ajuda a escolher produtos com melhor qualidade e oferecem menor risco de calote. Pode-se consultar o rating das empresas diretamente nos sites das agências de classificação, mas para facilitar o processo, algumas grandes corretoras fornecem essa informação em sua própria página.

Se vai investir em uma debênture de uma empresa e quer saber qual o risco de determinado título, o rating é o indicador que vai te dar uma boa noção de qual a chance daquela empresa pagar o que foi acordado.

Essa nota come explicado é dada de acordo com a avaliação realizada por agência de classificação de risco como Fitch Ratings, Moody’s e Standard & Poor’s. Basicamente, elas avaliam a possibilidade de a entidade emissora do título saldar suas dívidas.

A Fitch Ratings afirmou em abril/2021 que o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA(bra)’, com Perspectiva Estável, da segunda emissão de debêntures da EDTE – Empresa Diamantina de Transmissão de Energia S.A. A transação, no montante de BRL315 milhões, foi emitida em série única, com vencimento em 2028.

A publicação é um relatório de classificação de risco de crédito, para fins de atendimento ao artigo 16 da Instrução CVM nº 9/20.

As informações utilizadas na análise são provenientes da Transmissoras Brasileiras de Energia.

A Fitch adota todas as medidas necessárias para que as informações utilizadas na classificação de risco de crédito sejam suficientes e provenientes de fontes confiáveis, incluindo, quando apropriado, fontes de terceiros. No entanto, a Fitch não realiza serviços de auditoria e não pode realizar, em todos os casos, verificação ou confirmação independente das informações recebidas.

Histórico dos Ratings:

Data na qual a classificação em escala nacional foi emitida pela primeira vez: 14 de dezembro de 2018.

Data na qual a classificação em escala nacional foi atualizada pela última vez: 17 de abril de 2020.

A classificação de risco foi comunicada à entidade avaliada ou a partes a ela relacionadas, e o rating atribuído não foi alterado em virtude desta comunicação.

Os ratings atribuídos pela Fitch são revisados, pelo menos, anualmente.

A Fitch publica a lista de conflitos de interesse reais e potenciais no Anexo X do Formulário de Referência, disponível em sua página na Internet

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respondida Set 4 por Patrick Santos (6 pontos)  

Fitch Eleva Ratings da Vale Para 'BBB'
Tue 01 Sep, 2020 - 19:09 ET

Fitch Ratings - Chicago - 01 Sep 2020: A Fitch Ratings elevou os IDRs (Issuer Default Ratings - Ratings de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moedas Estrangeira e Local da Vale S.A. (Vale) para 'BBB', de 'BBB-' (BBB menos). Ao mesmo tempo, a agência elevou os ratings da dívida sênior sem garantias reais da Vale, da Vale Overseas Limited e da Vale Canada Limited para 'BBB', de 'BBB-' (BBB menos), e afirmou o Rating Nacional de Longo Prazo da Vale em 'AAA(bra)'. A Perspectiva de todos os ratings corporativos é Estável.

As ações de rating refletem as medidas adotadas pela Vale nos últimos 18 meses para reduzir o risco de futuros rompimentos de barragens, bem como para mitigar potenciais impactos no meio ambiente e para as comunidades que vivem no entorno de seus projetos. As ações de rating também consideram a baixa alavancagem da companhia e seu forte fluxo de caixa livre (FCF), que a posicionam favoravelmente para enfrentar qualquer redução acentuada nos preços do minério de ferro ou mesmo obrigações legais inesperadas referentes ao rompimento da barragem de Brumadinho.

Em 30 de junho de 2020, a Vale reportava provisões de USD3,4 bilhões relativas ao saldo das obrigações legais relacionadas a Brumadinho, após realizar pagamentos que totalizaram USD1,4 bilhão em 2019 e no primeiro semestre de 2020. De acordo com as projeções da Fitch, a empresa deve gerar USD18,5 bilhões de EBITDA em 2020 e encerrará o ano com USD2 bilhões de dívida líquida, após a distribuição de mais de USD2 bilhões em dividendos. O FCF deve permanecer alto em 2021, em cerca de USD3 bilhões, antes da distribuição de dividendos. Estes números incorporam preços médios de minério de ferro de USD75 por tonelada, USD15,5 bilhões de EBITDA, USD1,6 bilhão de despesas relacionadas a Brumadinho e investimentos de USD6 bilhões.

A Vale Overseas Limited e a Vale Canada Limited são subsidiárias integrais da Vale. Devido ao forte vínculo legal, operacional e estratégico destas entidades com a Vale, as emissões de títulos realizadas por elas foram diretamente vinculadas ao rating da Vale, por meio da "Metodologia de Vínculo Entre Ratings de Controladoras e Subsidiárias" da Fitch.

MOTIVAÇÃO:

PRINCIPAIS FUNDAMENTOS DO RATING
Sólido Perfil de Negócios: A Vale é uma das maiores produtoras mundiais de minério de ferro para exportação e detém uma das posições de menor custo no setor. Sua liderança é considerada sustentável, devido às reservas abundantes e à competitividade de seu Sistema Norte. A forte posição de negócios da Vale como produtora de baixo custo é reforçada pelo alto teor de seu minério de ferro, que lhe permite receber prêmios de mercado. Estes fatores compensam a vantagem, em termos de transporte, que os principais produtores australianos possuem ao exportar minério para a China. Embora mais de 85% do EBITDA da Vale sejam provenientes de minério de ferro, a companhia também tem operações significativas em cobre e níquel, que geram, a cada ano, mais de USD2 bilhões de EBITDA.

Forte Estrutura de Capital: A sólida posição de negócios da Vale é sustentada por uma estrutura de capital igualmente forte. Ao final de junho, a companhia possuía dívida líquida de USD6,5 bilhões. A Vale gerou USD16,9 bilhões de EBITDA e USD5 bilhões de FCF, calculados pela Fitch, no período de 12 meses encerrado em 30 de junho de 2020. O índice dívida total/EBITDA da companhia foi de 1,1 vez neste período, enquanto o índice dívida líquida/EBITDA foi de 0,4 vez. De acordo com as projeções da Fitch para 2020, a Vale encerrará o ano com um índice de alavancagem líquida de 0,1 vez. Em agosto, a companhia anunciou a retomada da distribuição de dividendos. Considerando os dividendos, a recompra de ações e os pagamentos de juros sobre o capital, a Fitch acredita que a Vale aumentará sua dívida líquida para cerca de USD8 bilhões até o final de 2022, o que resultaria em índices de alavancagem líquida de longo prazo entre 0,3 vez e 0,7 vez, dependendo dos preços do minério de ferro.

Fluxo de Caixa Livre Robusto: Os problemas generalizados decorrentes da pandemia do coronavírus afetarão apenas ligeiramente os resultados da Vale, e seu FCF permanecerá elevado. As restrições causadas pelo rompimento da barragem da Brumadinho, bem como interrupções na produção relacionadas a questões climáticas no Brasil durante o primeiro semestre de 2020, mantiveram o minério de ferro em patamares de preços insustentáveis. De acordo com as projeções da Fitch, o EBITDA da Vale será superior a USD18,5 bilhões em 2020 — assumindo preços médios do minério de ferro de USD95/tonelada —, e seu FCF deve atingir cerca de USD5 bilhões, considerando investimentos em torno de USD4,7 bilhões e dividendos de USD2 bilhões.

Teto-País: Os ratings da Vale não são limitados pelo Teto-país 'BB' do Brasil, tendo em vista que o EBITDA gerado pela Divisão do Atlântico Norte cobre as despesas com juros em moeda forte da companhia em mais de 1,0 vez. Se este índice de cobertura externa não for mantido no futuro, devido a uma queda por período prolongado no EBITDA das operações canadenses da empresa ou a um aumento no serviço da dívida em moeda forte da Vale, o rating ficaria sujeito às restrições impostas pelo Teto-país brasileiro. De acordo com a metodologia da Fitch, elevações acima do Teto-país em mais de três graus se aplicam a créditos de empresas com controladoras estrangeiras fortes e capazes de prover suporte e/ou com operações multinacionais significativas.

RESUMO DA ANÁLISE
A Vale é líder mundial na produção de minério de ferro de baixo custo, o que a coloca em vantagem frente aos seus pares. O risco de negócios da mineradora é semelhante ao da Rio Tinto Plc (IDR 'A'/Perspectiva Estável), pois ambas estão fortemente expostas a uma única commodity — o minério de ferro. A Rio Tinto se beneficia de maior diversificação geográfica e de commodities em comparação com a Vale.

Da mesma forma, a BHP Group Plc (IDR 'A'/Perspectiva Estável) é mais diversificada geograficamente e em termos de commodities provenientes do metal, juntamente com petróleo e gás, o que diferencia ainda mais seu perfil de risco de negócios dos perfis da Vale e da Rio Tinto. As três companhias se favorecem de operações de grande escala e posições de baixo custo. As operações de minério de ferro da Rio Tinto e da BHP são mais próximas da China, o que diferencia ainda mais seus ratings dos da Vale.

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respondida Set 4 por Auriel Cristian (1 ponto)  

Optou-se por explorar o rating do Laboratório Sabin de Análises Clínicas buscando analisar a dinâmica da pontuação recebida por uma empresa do segmento da saúde no decorrer dos últimos anos marcados pela pandemia do coronavírus. Embora seja considerada uma empresa com boa reputação (pontuação média de 7,5 no site Reclame Aqui) e seja considerada uma das 10 melhores empresas para se trabalhar no país há mais de 10 anos (edição 2020 do Great Place To Work Brasil), ainda que seja líder do segmento de análises clínicas em sua principal região de atuação, a empresa possui escala de negócios limitada e concentrada, com baixa diversificação geográfica, o que traz impactos consideráveis e negativos em sua pontuação.

No fim de 2018, cerca de um ano antes do início da pandemia, o Sabin havia recebido rating A com perspectiva estável, principalmente pela expectativa de geração de fluxos de caixa livres (FCF) positivos, em bases sustentáveis, com baixa alavancagem financeira e liquidez administrável, ainda que houvesse desafios importantes representados pela alta competitividade do setor e pela pequena perspectiva de diversificação dos negócios da empresa, o que poderia prejudicar a sua rentabilidade. Um aspecto importante que penalizava o rating da empresa referia-se a sua governança corporativa, cujo padrão era considerado abaixo da média das demais empresas avaliadas pela agência.

Já em maio de 2020, praticamente no auge da pandemia, a empresa teve seu rating rebaixado para BBB+ também com perspectiva estável. Mesmo que se beneficiasse de sua operação ocorrer em um setor considerado defensivo, com tendência de recuperação mais rápida após a pandemia, o que refletiu na perspectiva estável da nota, a empresa se encontrava em um cenário desafiador em termos operacionais, com pouco acesso a crédito e boa parte de suas unidades fechadas ou operando abaixo dos patamares anteriores, marcando um período de queima de caixa que pressionou sua alavancagem financeira. Além disso, a governança corporativa e a pouca diversificação geográfica e de negócios continuavam penalizando a pontuação da empresa. No entanto, uma esperada melhora no seu ambiente operacional, cujo ramo de atuação seria caracterizado por circunstâncias mais favoráveis de retomada, poderia melhorar a nota da empresa no curto prazo, o que de fato pode ser observado já no fim do mesmo ano.

Assim, no fim de 2020, o Sabin teve seu rating elevado para A+, também com perspectiva estável, muito fundamentado na concretização até acima da já esperada retomada de caixa e no risco do setor em que atua a empresa, considerado baixo a moderado. Destacaram-se ainda o sucesso na estratégia de mudança do perfil da dívida da empresa, contribuindo para uma menor exposição a riscos de refinanciamento e para o retorno da sua alavancagem financeira a patamares mais conservadores. Os aspectos relacionados à necessidade de ampliação da escala geográfica de atuação e de negócios permanecem como fatores que podem melhorar a nota da empresa no futuro, enquanto os avanços observados nas práticas de governança corporativa fizeram com que seu rating não fosse mais penalizado nessa temporada.

O olhar sobre a evolução das notas recebidas por uma empresa atuante no setor da saúde permite verificar a concretização de uma melhora potencialmente mais rápida esperada para empresas desse segmento em comparação com outros de certa forma mais impactados pelos efeitos da pandemia.

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respondida Set 7 por Tatiane Andrade (1 ponto)  

BANCO REGIONAL DE BRASÍLIA
Fitch Ratings - São Paulo - 31 AGO 2021
A revisão da Perspectiva do Rating Nacional de Longo Prazo para Estável reflete a visão da Fitch de que o desempenho do BRB, nos últimos trimestres, tem sido melhor do que o esperado, reduzindo a probabilidade de um cenário de rebaixamento, contemplado no momento em que a agência atribuiu a Perspectiva Negativa, em abril de 2020. O banco manteve adequada qualidade de ativos e sólidos índices de rentabilidade, o que dá à Fitch maior confiança de que seu perfil financeiro permanecerá consistente com o seu atual Rating Nacional de Longo Prazo nos próximos dois anos. A Perspectiva Negativa dos IDRs reflete a do Rating Soberano, uma vez que os IDRs do BRB estão no mesmo patamar dos ratings do Brasil.
PRINCIPAIS FUNDAMENTOS DO RATING
Os IDRs de Longo Prazo em Moedas Local e Estrangeira do BRB são movidos por seu Rating de Viabilidade (RV) ‘bb–’. O RV do banco é altamente influenciado pelo resiliente perfil da instituição e também captura as limitações impostas pelo ambiente operacional brasileiro. O BRB continua mantendo sua forte franquia no Distrito Federal, com uma base de captação de varejo estável e diversificada e bom perfil financeiro.
O banco também está investindo em sua plataforma digital, com o objetivo de expandir sua atuação para outros estados brasileiros, fortalecer e diversificar suas fontes de receita. Durante o primeiro semestre de 2021, o banco registrou um milhão de novas contas digitais, aumentando sua base de clientes em 175,2% em um ano. Na opinião da Fitch, embora a estratégia digital possa inicialmente pressionar os resultados da instituição, devido ao aumento das despesas, a longo prazo, tende a expandir sua franquia, trazer ganhos de escala e oportunidades de vendas cruzadas para o banco.
Os indicadores de qualidade de ativos do BRB são bons e refletem o seu foco em créditos com garantias. Em junho de 2021, os créditos consignados e imobiliários responderam por 48,6% e 18,5% dos créditos brutos, respectivamente. Ambas as carteiras apresentam baixo risco de crédito, devido à robustez desse tipo de garantias. No mesmo período, os créditos em atraso (Non Performing Loans - NPLs) acima de noventa dias se mantiveram no confortável patamar de 1,5% dos créditos brutos, frente a 1,6% no ano anterior. O volume de créditos classificados na faixa 'D–H' da escala de risco do Banco Central do Brasil (Bacen) diminuiu para 3,9% em junho de 2021, frente a 5,0% em junho de 2020.
A avaliação do cenário-base da Fitch assume que a qualidade dos ativos permanecerá sob pressão até, pelo menos, 2022, mas deve permanecer administrável, suportada pela gestão de risco proativa do banco e melhores perspectivas econômicas do segundo semestre de 2021 em diante. O pequeno volume de créditos renegociados relacionados à pandemia de coronavírus (aproximadamente 9,8% do total de créditos) sinaliza que a capacidade de repagamento dos clientes permanece adequada até o momento.
O banco manteve sólida rentabilidade, com lucro operacional correspondendo a um elevado percentual de 5,0% dos ativos ponderados pelo risco (RWAs)em junho de 2021, frente a 5,4% um ano antes, favorecido pelo aumento da receita líquida de juros e tarifas bancárias. Na opinião da Fitch, mesmo com o aumento das despesas relacionadas ao desenvolvimento da plataforma digital, a rentabilidade do BRB se manterá acima da de seus pares e em linha com sua atual categoria de rating.
A capitalização do BRB é adequada, e seu índice Capital Regulatório Nível 1 (CET1) era de 12,7% ao final do segundo trimestre de 2021, um pouco abaixo da média de seus pares, de 14,3%. Esta redução é resultado do forte crescimento, de 29%, dos RWAs no comparativo anual, devido, principalmente, ao elevado apetite do mercado por crédito consignado e imobiliário. O banco planeja fazer um follow-on nos próximos meses, o que, na opinião da Fitch, dará suporte à sua estratégia de crescimento.
A captação e a liquidez do banco se mantiveram adequadas e estáveis até o primeiro semestre de 2021. O BRB financia sua carteira de crédito por meio da combinação de depósitos de varejo de baixo custo, depósitos de partes relacionadas (principalmente o Governo do Distrito Federal - GDF) e depósitos judiciais. Em junho de 2021, o índice créditos/depósitos de clientes chegou a 104,8%.
Rating de Suporte
A Fitch afirmou o Rating de Suporte (RS) ‘4’ do BRB. O RS do banco reflete a limitada probabilidade de suporte por parte do acionista majoritário, o GDF. A agência acredita que o GDF tem alta propensão, mas capacidade relativamente limitada de prestar suporte ao BRB, em caso de necessidade. O banco é estrategicamente importante para o GDF, pois é o seu principal agente financeiro e tem relevante participação de mercado em termos de créditos e depósitos no Distrito Federal. Além de operações comerciais, o BRB desempenha missão pública na região, onde realiza operações de crédito que visam a promover o desenvolvimento e o crescimento econômico

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